
José Luís Lira
A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer "que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro". Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.
Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.
Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que "As pessoas não morrem, ficam encantadas".
A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.
Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.
Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.
Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.
Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.
Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.
Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense. Vida longa aos novos imortais! José Luís Lira - Professor, escritor e advogado
Fonte webliográfica: LIRA, José Luis. Importalidade literária. Disponível em Internet: http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/822512.html . Fortaleza, Jornal O Povo, Opinião. Acessado em 27/09/2008

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