domingo, 28 de setembro de 2008

IMORTALIDADE LITERÁRIA





José Luís Lira


A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer "que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro". Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.


Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.


Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que "As pessoas não morrem, ficam encantadas".


A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.


Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.


Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.


Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.


Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.


Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.


Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense. Vida longa aos novos imortais! José Luís Lira - Professor, escritor e advogado



Fonte webliográfica: LIRA, José Luis. Importalidade literária. Disponível em Internet: http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/822512.html . Fortaleza, Jornal O Povo, Opinião. Acessado em 27/09/2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ASEL – Academia Sobralense de Estudos e Letras empossa mais três novos imortais




Numa assembléia literária de grande estilo e distinta nobreza, realizada a partir das 20h do dia 12 de setembro de 2008, no Salão Nobre do Memorial do Ensino Superior de Sobral / MESS, conduzida por seu presidente, Dr. João Édison de Andrade, a Academia Sobralense de Estudos e Letras – ASEL deu posse a três novas expressões da intelectualidade contemporânea do mundo do estudo das letras cearenses, recompondo, assim, os sólios acadêmicos deixados vagos por falecimento de membros daquele silogeu sobralense.
À tertúlia compareceram figuras de distinção especial do universo intelectual da cidade, convidados e familiares dos neo-acadêmicos.


A mesa dos trabalhos da sessão de posse esteve composta dos seguintes membros: Dr. João Édison de Andrade – Presidente; Professor Evaristo Linhares Lima – Ex-presidente e decano da Asel; Dr. José Luis Lira – representando o Magº Reitor da UVA, Dr. Antonio Colaço Martins; Profº José Ferreira Portella Netto, representando a vice-reitora da UVA, Drª Palmira Soares e a Srª Zilmar Viana Coelho, viúva do acadêmico José Ribamar Coelho.


Em sua fala inicial, o presidente cumprimentou os presentes à sessão, após o que, designou dois acadêmicos para, em cortejo, adentrarem os três neófitos ao recinto de posse. Ato continuo, o presidente passou a palavra ao acadêmico, professor, escritor e poeta Dimas Carvalho Muniz, a quem confiou o discurso de boas vindas aos novos acadêmicos.


Dimas Carvalho fez erudita preleção com incursões no mundo da literatura, desde os primórdios dos estudos do saber, até as pesquisas literárias mais atuais, terminando sua fala com bela saudação a seus novos pares, desincumbindo-se, assim, brilhantemente, da missão que lhe fora confiada.


Seguiu-se o ritual de posse. Cada acadêmico recebeu aos ombros a murça (indumentária acadêmica de cor vermelha) e ao peito o medalhão (símbolo da confraria).


E assim, tomou posse e assento na cadeira de Nº 3, que tem como patrono o médico cearense Dr. Eduardo da Rocha Salgado (in memoriam), membro da Academia Cearense de Letras, e que teve como último ocupante o saudoso acadêmico José Ribamar Coelho, o neo-acadêmico, professor Manoel Valdeci de Vasconcelos. A cadeira de Nº 21 patronada pelo memorável Professor Vicente Ferreira Arruda, e que teve como último ocupante o também saudoso Professor João Alves Teixeira, foi ocupada pela acadêmica Rebeca Sales Viana . Enquanto que a cadeira de nº 26, que tem como patrono o renomado Thomaz Pompeu de Souza Brasil, e que teve como última ocupante a inesquecível Professora Maria Leila Cabral de Araújo Coelho, foi preenchida pelo novo acadêmico Vicente de Paula da Silva Martins.


Perfis:Manoel Valdeci de Vasconcelos, foi eleito para a ASEL em 05 de junho de 2008 com 26 votos dos trinta votantes. Natural de Morrinhos-CE, então distrito de Santana do Acaraú. Veio estudar em Sobral nos anos 1950, onde fez estudos secundários. Concluiu o curso técnico de contabilidade na Escola Técnica de Comércio Dom José. Ingressou em seguida na primeira turma do curso de Letras da Faculdade de Filosofia Dom José, precursora da UVA, onde se formou. É especialista em Língua Portuguesa. Foi chefe da Previdência Social em Sobral durante 20 anos. Foi por três vezes presidente do Rotary Clube de Sobral. É, atualmente, acadêmico do Curso de Direito da UVA, secretário dos seus conselhos superiores e Chefe de Gabinete Adjunto do Reitor, Prof. Antonio Colaço Martins.


Rebeca Sales Viana, natural de Fortaleza-CE graduada em Odontologia pela UFC, especialista em Saúde Coletiva e Mestre em Gestão Pública. Docente concursada da Universidade Estadual Vale do Acaraú, desde 1994. Professora nos Curso de Enfermagem de Educação Física. É, atualmente, Pró-Reitora Adjunta da Pró-reitoria de Cultura da UVA. Foi eleita para a ASEL em 5 de junho de 2008, com 13 votos.


Vicente de Paula da Silva Martins, natural de Iguatu-CE. Graduado e pós-graduado em Letras pela UECE e Mestre em educação pela UFC com dedicação aos estudos e pesquisas em Lingüística, Metalingüística, (Dislexia, Disgrafia e Disortografia – legislação educacional). Mestre em Educação pela UFC. Docente da UVA no curso de Letras desde 1994. É professor dos cursos de Letras da UVA, em Sobral. Foi eleito pela ASEL em 19 de agosto de 2008. (Hercos).
Imortalidade literária
A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer “que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro”. Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.
Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.
Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.


Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.


Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.


Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.


Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.
Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense.Vida longa aos novos imortais!



domingo, 14 de setembro de 2008

Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008

Vicente Martins é imortal da
cadeira nº 26 da
Academia Sobralense de
Estudos e Letras

Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008:
Cad. nº 01 – José Sombra – Titular: Evaristo Linhares Lima; Cad.nº 02 – General Antônio Sampaio – Titular: José Ferreira Portella Netto; nº 03 – Eduardo da Rocha Salgado – Titular: Eduardo da Rocha Salgado; Cad. nº 04 – Adolfo Ferreira Caminha – Titular: Francisco Jerônimo Torres; Cad. nº 05 – Antônio Domingues Silva – Titular: Francisco Sampaio Sales; Cad. nº 06 – Antônio Rodrigues Junior – Titular: José Edvar Costa de Araújo; Cad. nº 07 – Tristão de Alencar Araripe – Titular: Ataliba Araújo Moura; Cad. nº 08 – José Cardoso de Moura Brasil – Titular: Raimundo Nonato Arcanjo; Cad. nº 09 – Monsenhor José Leorne Menescal – Titular: Almino Rocha Filho ; Cad. Nº 10 – Antônio Bezerra de Menezes – Titular: Pe. Jairo Linhares Pontes; Cad. Nº 11 – Júlio César da Fonseca Filho – Titular: Aloísio Ribeiro Ponte; Cad. nº 12 Manuel do Nascimento A. Linhares – Titular: Petrônio Augusto Pinheiro; Cad. 13 José Martiniano de Alencar – Titular: Maria Norma Maia Soares; Cad. Nº 14 – Justiniano de Serpa – Titular: Francisco de Assis Vasconcelos Arruda; Cad. Nº 15 – Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho – Titular: Cônego Francisco Sadoc de Araújo; Cad. Nº 16 – Padre João Augusto da Frota – Titular: José Edinardo Albuquerque Silveira; Cad. Nº 17 – Antônio Augusto de Vasconcelos – Titular: João Edison de Andrade; Cad. Nº 18 – Padre Antônio Tomaz – Titular: José Dimas de Carvalho Muniz; Cad. Nº 19 – Dom Jerônimo Tomé de Saboya e Silva – Titular: Vicente Abdias Fernandes; Cad. Nº 20 – Vicente Ferreira de Arruda – Titular: Ciro Ferreira Gomes; Cad. Nº 21 – General Antônio Tibúrcio Ferreira Junior – Titular: Rebeca Sales Viana; Cad. Nº 22 – José Julio de Albuquerque e Barros (Barão de Sobral) – Titular: Gabriel Assis Araújo Vasconcelos; Cad. Nº 23 – Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva – Titular: Francisco Antônio Tomaz Ribeiro Ramos; Cad. nº 24 – Padre Antônio Pereira Ibiapina – Titular: José Luis Araújo Lira; Cad. nº 25 – Vicente Cândido Figueira de Saboya – Titular: José Teodoro Soares; Cad. nº 26 - Tomaz Pompeu de Sousa Brasil – Título: Vicente de Paula da Silva Martins (Vicente Martins); Cad. nº 27 – Antônio Sales – Títular: Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene; Cad. nº 28 – Domingos Olímpio Braga Cavalcante – Titular: João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante; Cad. Nº 29 – João Marinho de Andrade – Titular: Gisela Nunes da Costa; Cad. nº 30 – Clóvis Beviláqua – Titular: Arnaud de Holanda Cavalcante; Cad. Nº 31 – Antônio Firmo Figueira de Saboya – Titular: Glória Giovana Saboya MontÁlverne; Cad. nº 32 – Guilherme Stuart (Barão de Studart) – Titular: Francisco Régis Frota Araújo; Cad. nº 33 – João Capistrano de Abreu – Titular: Edison Luis Rodrigues de Almeida; Cad. nº 34 – José Pedro Soares Bulcão – Título: Francisco José Soares; Cad. nº 35- Leonardo Mota – Titular: Hebert Vasconcelos Rocha; Cad. nº 36- Afrânio Peixoto – Titular: Raimundo Rodrigues Pinto; Cad. nº 37- Padre Valdivino Nogueira – Titular: Monsenhor Tibúrcio Gonçalves de Paula; Cad. nº 38-José Cordeiro de Andrade – Titular: Francisco Santamaría M. Parente; Cad. nº 39-José Lino da Justa – Titular: João Ambrósio de Araújo Filho e Cad. nº 40-José Lourenço Aguiar – Titular: Padre José Linhares Ponte.
Vicente Martins (Sobral, Curso de Letras, UVA) foi eleito, com candidatura única, para Academia Sobralense de Estudos e Letras, em 19 de agosto de 2008. Sua solenidade de Posse, na Cadeira de nº 26 na Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocorreu em 12 de setembro de 2008, no Auditório do Memorial do Ensino Superior de Sobral(MESS), em Sobral. O professor Vicente Martins é sucessor de Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho que, por sua vez, é sucessora João Pompeu de Sabóia Magalhães, cujo patrono é Tomaz Pompeu de Sousa Brasil. Tomaram também posse os acadêmicos Profª Rebeca Sales Viana e Manuel Valdeci de Vasconcelos. Os três acadêmicos são docentes da UVA. A ASEL é presidida pelo acadêmico João Edison de Andrade(UVA). Jus-estatutariamente, a Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi fundada em 7 de setembro de 1943, sucessora da Academia Sobralense de Letras, criada em 3 de maio de 1922 por um grupo de eminentes sobralenses, amantes das Letras, dentre os quais o juiz municipal e eloqüente orador dr. José Clodoveu de Arruda Coelho e mais os sócios a seguir: 1. Pe Leopoldo Pinheiro Fernandes; 2, Dr. Cláudio Nogueira; 3, Dr. Lauro Meneses. 4. Jornalista Craveiro Filho; 5. Pe. Fortunato Alves Linhares; 6. Prof. Paulo Aragão; 7. Dr. Benjamin Hortêncio; 8. Dr. Atualpa Barbosa de Lima; 9. Dr. Luiz Viana; 10. Dr. Ruy de Almeida Monte; 11. Antônio Oriano Mendes.

O NOVO TITULAR DA CADEIRA Nº 26 DA ACADEMIA SOBRALENSE DE LETRAS

Vicente Martins e seus familiares:
Mariana(filha), Luciene(esposa) e
Atília (filha)

Vicente Martins é simplificação de Vicente de Paula da Silva Martins.
Filho primogênito de Juarez Pereira Martins (militar, falecido) e Pedrina Maria da silva Martins (lavadeira, falecida). Nasceu no Sítio Aceno, em Iguatu, em 27 de dezembro de 1961. Fez o ensino fundamental e o ensino médio no Colégio Militar de Fortaleza.

Graduou-se e pós-graduou-se em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE), em Fortaleza. Fez mestrado em educação pela Universidade Federal do Ceará.

Desde 1994, é professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral.

DISPOSIÇÃO DE VICENTE MARTINS COMO IMORTAL DA ASEL, EM SOBRAL DE DOM JOSÉ



Vicente Martins, como imortal da Academia Sobralense de Estudos e Letras, fala aos presentes no dia de sua posse, 12 de setembro de 2008, em Sobral.

Perspectivas Acadêmicas – Caros confrades, ao ingressar neste Sodalício, espero contribuir com atividades de pesquisa, estudos e publicações que possam ainda mais engrandecer a nossa histórica Academia, entre essas atividades me disponho a trabalhar em:


1. Elaboração de documento como o de Discursos Acadêmicos de nossos titulares atuais da Academia. Os discursos acadêmicos constituem um dos aspectos mais relevantes da vida acadêmica. A idéia é a de que pesquisador ou estudante de Letras, História, Direito, enfim de qualquer dos Cursos das Ciências Humanas da UVA ou de qualquer outra IES, que desejar conhecer a vida e a obra de um acadêmico, encontre nos discursos de posse, nos de recepção, e no elogio do antecessor elementos preciosos para esse conhecimento. Em geral, os discursos acadêmicos trazem um traço comum: a elegância da frase, o estilo ameno, as citações eruditas, respingando às vezes algumas ironias e anedotas, mas sempre tendo em mente a importância da alocução para a história da Academia.

2. Elaboração da Série Biobibliografia dos Patronos da Academia Sobralense de Estudos e Letras, que, ao certo, no futuro bem próximo, constituirá uma relíquia bibliográfica.
3. Elaboração de Esboços e perfis dos antigos e atuais acadêmicos da ASEL. Será resultado da proposta de um ciclos de conferências,aberto à comunidade universitária, que consistirá em encontros acadêmicos, com os atuais acadêmicos, em que sejam destacadas as memórias da infância, adolescência e mocidade.

4. Reedição, edição crítica, inclusive com notas redigidas pelos acadêmicos, da História e interpretação de obras regionais, tendo como partida a obra Luzia-Homem, de Domingos Olímpio. Com este procedimento, acredito que a ASEL resgata uma dívida com a cultura local, estadual, regional, nacional, ao reeditar obras fora da circulação da indústria editorial. A idéia é a de que, no futuro, possam estas obras reeditas, em maior escala ou disponibilizada para acesso on-line (PDF, Internet), serem sugeridas para compor a lista de livros indicados para o vestibular da UVA. Obras como os contos de Dimas Carvalho, as crônicas de João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante e os textos de Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene e sua mãe, Demora podem ser as primeiras lembranças para indicação para lista futura do vestibular da UVA.

5. Proposição de transformar a história da Academia Sobralense de Letras como componente pedagógico ou tópico especial ou ainda prática de pesquisa, no curso de Letras da UVA,especialmente aos graduandos que vão atuar, na Mesorregião Noroeste do Estado, como professores de língua portuguesa e literatura, que terão, ao longo do curso de formação inicial, um caminho acadêmico para sistematizar, diacrônica e sincronicamente, a produção cultural da ASEL, desde o ano de 1943, ano de sua fundação jus-cartorial.
Obrigado, Sobral, cidade soberana, altaneira e impoluta.

DISCURSO DE VICENTE MARTINS DESTACA SEU PATRONO NA CADEIRA Nº 26, DA ASEL: O SENADOR PADRE POMPEU

Imortais da Academia Sobralense de Letras


A primeira vez que soube de Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, patrono da cadeira nº 26, agora, ocupada por mim, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi através do escritor cearense Nertan Macedo.
Em 1982, ainda aluno do ensino médio do Colégio Militar de Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, Aldeota, onde fiz toda minha educação básica (ensino fundamental e ensino médio), recebi uma Revista Academia Cearense de Letras, oferta do meu professor de língua portuguesa e literatura acadêmico Pedro Paulo Montengro, hoje, ainda um grande amigo. No apêndice da revista, havia os endereços, para correspondência com os imortais. Foi assim que entrei em contato com escritores como Eduardo Campos e Nertan Macedo.
Do escritor e dramaturgo Eduardo Campos, no encontro pessoal com o mesmo na Secretaria de Cultura, no governo de Gonzaga Mota, solicitei livros e um emprego. Presenteou-me com livros de sua autoria e, quanto ao emprego, disse-me, assim, resumidamente: rapaz, peça emprego a político não, faça todos os concursos que aparecerem, não é tempo de depor as luvas. Senti-me envergonhado e nunca mais bati a porta de político, grande ou pequeno, para pedir emprego.
E até hoje não consegui uma emprego sem que não fosse pelo caminho do concurso público ou da seleção pública, sempre exigindo, de mim, dedicação aos estudos na área de minha atuação profissional, a de Letras. De Nertan Macedo, recebi, autografado, pelos correios, o livro o Clã de Santa Quitéria[i], prefaciado por Marcelo Pinto.

O livro trata de uma quinta família, os Pinto de Mesquita, das ribeiras do Acaracu, hoje, por força da eufonia, denominado Acaraú. O Capítulo VI, da referida obra, sob o título “O senador Tomás Pompeu, um pioneiro”, é dedicado ao herdeiro dos Pinto de Mesquita, considerado por Nertan Macedo, um pioneiro no campo de atuação política, clerical, jornalística, cultural e educacional.
Durante quase uma década, mantive regular correspondência ou, por algum tempo, apenas postais por ocasião do final de ano (Natal e Boas Festas) com o escritor Nertan Macedo. Pude apurar em minha hemoroteca particular, que Logo depois de ter servido como assessor de imprensa do primeiro governo de Virgílio Távora, Nertan Macedo foi ser assessor de imprensa da presidência da Confenderação Nacional da Indústria, na administração do engenheiro Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto. Herdaram seu nome completo: o filho, um sobrinho e um neto.

No meu breve discurso sobre meu patrono Thomás Pompeu de Sousa Brasil, jurisconsulto, sábio, escritor, estadista, levita, industrioso, paciente, inteligente, tenaz,severo, sóbrio, orador fluente e consumado, conselheiro,austero,nobre,simpático,ilustrado,assíduo, abnegado, desinteressado, homem de olhar arguto, enfim, um senador contumaz e convincente, qualificações que pude extrair dos estudos sobre Pompeu, ao longo dos dias de preparação do meu discurso de posse, e, por isso, por favor, permitam-me limitar minha fala à sua atuação como professor, educador, diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução na província cearense, e, mesmo assim, senhoras e senhores e estudantes, não darei conta, tamanha e extraordinária é a extensão e dimensão da atuação cultural de Tomás Pompeu.
Do padre e do político, isto é, do senador padre imperial[ii], apenas pinçarei, agora, alguns casos ou traços pitorescos, anedóticos e interessantes de Tomas Pompeu, descritos, segundo Hugo Catunda, secundado por Nertan Macedo, provavelmente por seu filho, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, membro da Academia Cearense de Letras, que nos permite hoje, passados tantos, avaliar melhor seu esboço biográfico, publicado no jornal “ A República”, em 3 de setembro de 1909, “alguns subsídios sobre a vida e a atuação do Senador Pompeu” (MACEDO: 1980, p.51):
O senador padre Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.Nasceu na cidade de Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Em junho passado, comemoraram-se, portanto, 190 anos de aniversário de nascimento de Tomás Pompeu.

O sobrenome Brasil dado, no início do século XIX, pelo pai, um liberal “patriota”[iii], segundo Abelardo Montenegro, era o costume de usar nomes nacionais a fim de apor ou substituir os nomes menos nativos. As famílias passaram a usar nome nacionalista que expressava algo pecular à terra brasileira.

Filho de Tomás d’Aquino Sousa e dona Geracina Isabel de Sousa.Observamos que o senador Pompeu herdou seu nome Tomás do pai(no caso deste, seguido de Aquino e Sousa), que era primo do Padre Mororó, figura central e mártir da Revolução de 1824.
O pai do senador Pompeu compactuava com a Revolução de 1824, assinando, inclusive, a ata do Conselho de Revolução de 1824, e, por sua opção ideológica, sofreu perguições que o levaram à penúria de sofrimentos e haveres. A esse respeito,há interessante artigo de Maria do Carmo R. Araújo, professora do Curso de História da UFC[iv].

O senador Pompeu fez seu curso primário em Santa Quitéria, tendo por mestre seu próprio pai, Capitão Tomás Aquino de Sousa, “homem suficientemente instruído, pois abandonora o Seminário de Olinda quando já cursava o primeiro ano de Teologia”.

O pai Tomás d’Aquino Sousa o destinou para a carreira do Sacerdódico, tendo matriculado Tomás Pompeu, , na Aula Régia de Latim de Sobral, regida pelo seu materno, advogado Gregório Francisco Torres de Vasconcelos. No capítulo “Os passos da educação”, em seu prestimoso livro Origem da Cultura Sobralense, padre Francisco Sadoc de Araújo (2005)[v]fala da caráter do professor Gregório,nascido em 17 de novembro de 1785, na Fazenda Flores, sertão de Santa Quitéria, filho primogênito do matrimônio de Gregório José Torres e Vasconcelos e de Isabel Pinto de Mesquita[vi].
Gregório era titular de aula de Gramática Latina da vila sobralense, oficialmente em 26 de junho de 1825 (p.133). Sadoc refere-se ao professor Gregório Francisco como um “homem íntegro e de muito caráter” corajoso e reagia, como autêntico liberal, os atos de prepotência do presidente da Província José Martiniano de Alencar. Relata-nos o cônego Sadoc que entre os “alunos adiantados” de Gregório Francisco, destacava-se seu sobrinho, o jovem Tomás Pompeu de Sousa Brasil que chegara a Sobral a 23 de fevereiro de 1834, com 16 anos de idade, tendo estudado durante mais de dois anos com seu tio professor” (ARAÚJO: 2005, p.137).
E conclui Sadoc: “Tomás Pompeu viajou depois para Olinda onde se fez sacerdote e advogado. Retornando ao Ceará, militou na política tornando-se, nacionalmente, famooso no tempo em que exercia mandato no Senado do Impérito. Senado Pompeu, quando estudava em Sobral, a 20 de julho de 1836, solicitou da Câmara atestado de pobreza e de boa conduta, no que foi atendido. Seu tio, o admirável professor Gregório Francisco, a quem Sobral muito deve, faleceu a 13 de abril de 1868 e foi sepultado na Matriz sobralense deixando viúva sua mulher Antônia Gregorina que, por sua vez, expirou a 12 de janeiro de 1887, com 92 anos de idade”. (ARAÚJO: 2005, p.137-138, grifos nossos)

Ainda em 1835, matriculou-se o Senador Pompeu no Seminário Diocesano. Em 1836, foi aprovada para Academia Jurídica, em Olinda, Pernambuco.Em 1837, em duas épocas, foi aprovado em Filosofia, Aritmética, Álegebra, Geometria, Francês, inglês. Em 1838, aprovado em em Gografia, História, Retórica e História Sagrada.
Em 1839, era submetido, no Seminário Diocesano, a ato de Teologia Dogmática. Em 1840, o futuro sacerdote foi provido, em 21 de novembro, na Cadeira de Teologia do Seminário.Em 1840, o seminarista Pompeu de Sousa Brasil recebia as ordens de diácono, sendo aprovado em exame Sinodal pelo bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão, ordenando-se Sacerdote no dia de setembro de 1841, aos 23 anos, no Palácio da Solidade(Sede do Bispado.Em 2 de março de 1843, portanto, aos 25 anos, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
O padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil é o personagem Padre Brasil, do romance Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva. Há uma passagem no romance em que faz referência ao senador: Quim, o Major Joaquim Damião, ao ler um bilhete, assinado por um “amigo da paz” (na verdade, era Guida), resolveu ir para Capital: “ Aí chegando, porém, em vez de consultar ao facultativo, foi pedir garantias para a sua vida ao Chefe da Polícia, e aconselhar-se com o Padre Brasil a respeito do desquite” (PAIVA: 1999, p.162)
[vii] Leitor de Camões, em seu livro Compêndio de Geografia, adotado no País, traz como epígrafe: “Eu desta glória só fico contente/Que a minha terra amei e a minha gente”. Os versos, na íntegra, são assim: “Aos bons ingenhos. A vós só canto, espritos bem nascidos,/A vós, e às Musas ofereço a lira,/Ao Amor meus ais, e meus gemidos,/Compostos do seu fogo, e da sua ira,/Em vossos pleitos são, limpos ouvidos,/Caiam meus versos, quais me Febo inspira./Eu desta glória só fico contente,/Que a minha terra amei, e a minha gente”.

O Senador Pompeu tinha especial predileção pelo estudo da Geografia e escreveu um livro “ensaio Estístisco da Província do Ceará” (em 1859). Escreveu muitos trabalhos e livros, dos quais, citaria alguns: “Princípios Elementares de Geografia” (para uso do Liceu do Ceará, em 1850); “Compêndio de Geografia (1856); “Memória estatística da Província do Ceará, em dois volumes (1859) e “Compêndio de Geografia Geral e Especial do Brasil”, a maioria, oficialmente, adotada no Colégio Pedro II, nos Liceus e Seminários do Brasil.

Pioneirismo cultural de Pompeu

Instituiu, em 1845, aos 27 anos, o ensino secundário no Ceará, com a fundação do velho Liceu do Ceará, atendendo convite do presidente do Ceará, coronel Inácio Correia de Vasconcelos. Segundo Tomás Pompeu, o filho-biógrafo, “as cerimônias do magistério tinham para o seu espírito mais atrativos do que as cerimônias eclesiásticas” (MACEDO: 1980, P.54).
O Liceu instituiu um ensino centralizado e de qualidade, permitindo ao seu responsável o controle da formação dos provincianos. Comentando sobre o valor do Liceu no século XIX, para o Ceará, o cônego Sadoc Araújo diz: “ Criado pela Lei 304, de 15 de julho de 1844, o Liceu do Ceará veio trazer novos rumos ao ensino de toda a Província, tornand0-se modelo para as demais escolas cearenses” (ARAÚJO: 2005, p.146).
E acrescenta: “ O artigo 8º da Lei 501, de 14 de dezembro de 1849, detertiminava que não mais poderia ser criada qualquer escola na Província sem prévia licença do Presidente, ouvido o Diretor do Liceu. Este dispositivo se por um lado restringir a iniciativa particular, por outro lado, concorria para o aprimoramento do ensino, já que as permissões só eram das a professores devidamente examinados e aprovados nas matérias que pretendiam lecionar” (Ibidem).

Em 1845, foi inspetor-geral da Instrução, fazendo longa excursão pelo interior, visitando as escolas primárias, disseminadas nas diversas localidades da Província.
Há mais de 160 anos, Tomás Pompeu defendia a reforma da escolar popular, isto é, do sistema escolar dominante: criticava a escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculo, leitura e escrita, como ocorria (e ocorre) com as escolas primárias daquele tempo, longe, como diz Nertam Macedo (p.63), “ do ideal da verdadeira escola popular”. A grade curricular estabelecida, oficialmente, em 1844, definia as seguintes disciplinas: Filosofia Racional e Moral; Retórica e Poética; Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Geografia e História; Latim; Francês e Inglês. Apesar da quebra de uma formação exclusivamente literária da aulas clássicas de Latim, quando tomou o encargo de diretor de Instrução Pública, achou tal configuração curricular demasiadamente abstrata para nossa realidade e dizia, em relatório enviado ao Presidente da Província: “Cada povo deve aprender principalmente aquilo de que mais precisa para aumentar os cômodos da vida”[viii]. (GIRÃO: 1977, p.12).
Na proposição curricular de Pompeu, a nova configuração curricular era mais ou menos esta: Curso Religioso “ Católico”; Artes Liberais (Desenho e Música); Ciências Naturais: Física; Mecânica; Botânica, Agricultura; Geometria e Agrimensura. Na proposta de Pompeu, quebrava-se a formação exclusivamente voltada para as belas letras.
Com a ascensão dos conservadores à estrutura de poder, Pompeu foi exonerado da direção do Liceu, porque era do partido liberal. Com a subida dos liberais, voltou à direção do Liceu, e apresentou um relatório ao presidente da Província, no qual insiste em suas idéias reformistas
As idéias de Pompeu divulgadas há 160 anos, tem agora plena e oportuna atualidade: dizia ela, não há mais lugar para a escola tradicionalista, de métodos puramente memoralistas, e sim, de uma escola que eduque para o trabalho e para a vida

A escola ideal para Tomás Pompeu deveria, além de instruir, preparar o educando para as “aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia” (MACEDO: 1980, p.63)

Defendia a preparação profissional do mestre, o qual, a par de novos conhecimentos, deveria promover uma “escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o educando num homem do futuro – adestrado para viver e vencer no meio”.

Foi nomeado e diretor e lente da cadeira de Geografia e História no Liceu do Ceará, com que o distinguiu o governo da Província.
Aperfeiçoou-se nesse período em que foi diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução aos estudos da língua portuguesa e das línguas estrangeiras (Francês, Inglês) e clássica (Latim).

Habituado à leitura diária de Horácio, Virgílio, Tácito, Lucrécio, Juvenal, Ovídio, Camões, Milton, Bussuet, Lamartine, Vieira e outros clássicos
Leitor familiar de Cícero, Demóstenes, Fenelon e Vergniaud, mestres da eloqüência e dos modelos portentosos da dicção oratória.
Gostava da leitura silenciosa e devotado à paz do seu gabinete de trabalho.
Era um apaixonado pelos problemas da educação na sua Província.
Pioneirismo político de Pompeu

· Em 1845, foi eleito primeiro suplente de deputado geral, tendo tomado assento na Câmara Temporária, com o falecimento do deputado nato padre Costa Barros.

· No dia 9 de janeiro de 1864, aos 46 anos, foi nomeado por Pedro II senador imperial através de Carta Imperial

· Era Pompeu um admirador do sábio Agassiz

· Fundou em 16 de outubro de 1846, com o apoio do seu amigo sobralense Francisco de Paulo Pessoa, o jornal “ O Cearense”, órgão do Partido liberal. Do sobralense, o Senador Pompeu recebeu 100 contos de réis para comprar as máquinas necessárias à instalação e impressão do jornal[ix].
· Foi amigo íntimo de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, senador, jornalista, poeta e dos mais destacados chefes do Partido Liberal na Monarquia.

· Em 1877, quando o Ceará sofreu na carne com a grande seca, contando com retardo e limitações de auxílios e recursos para os flagelados, patrocinados pelo Partido Conservador, presidido pelo Barão de Cotegipe, Pompeu revoltou-se, escrevendo, em O Cearense, “libertem-se de um jugo ditatorial que nos mata...esqueçam-se do centro...proclamen s sua liberdade e autonomia”


· Era o Senador Pompeu legítimo político de José Martiniano de Alencar e do coronel Pessoa Anta, irmão do primeiro senador Paulo Pessoa. Segundo o jornalista Lustosa da Costa, o senador Paula Pessoa foi um dos responsáveis pela eleição de Pompeu à Câmara Alta do Império: “ Com ele – senador Pessoal -, a zona norte passa a exportar senador. Em 1846, ajuda a eleger Thomaz Pompeu, seu primo, nascido em Santa Quitéria, freguesia de Sobral, cuja carreira política financia” (COSTA: 2004, P.89)
[x]. · O senador Nogueira Acioly era seu genro.

· O Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que sofria de miopia, morreu no dia de 2 setembro de 1877, aos 59 anos, em Fortaleza, vítima de ataque cardíaco.

[i] MACEDO, Nertan. O Clã de Santa Quitéria: memória histórica sobre vaqueiros políticos e eruditos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renes, 1980. Autógrafo: “ Meu caro Vicente de Paula: É tudo quanto posso lhe mandar, atendendo sua cartinha. Espero que Você não desfaleça nos seus propósitos de se tornar um escritor. Mesmo neste País que pouca importância dá às coisas do espírito. Vá em frente e boa sorte! O abraço do Nertan Macedo. Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1982”.

[ii] FROTA, Dom José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª ed. Fortaleza: IOCE, 1995. Dom José faz referência, em seu monumental livro, ao Senador Padre Thomaz Pompeu descrito como “chefe do partido liberal do Ceará, cujo prestígio se irradiava por todo o Império e que, como Alencar recusara pasta de ministro, disse: “ A revolução do Equador, nas províncias do norte, em 1824, foi o resultado da dissolução da Constituinte; foi um protesto que os Carvalhos, de Pernambuco, os Alencares, do Ceará, e outros homens de influência levantaram contra aquele acto. As idéias republicanas desapareceram em 1831 com a “Abdicação” e em 1834 com o “Acto Adicional” (Sessão de 21 de fev. de 183” (p.331). Faz ainda referência a Thomas Pompeu sobre período de seca de 1790 a 1794,estudo levado a efeito pelo senador.(p.423).

[iii] Vale ressaltar que, em Pernambuco, no século XIX, a palavra patriota denotava defensor da revolução pernambucana de 1817 e ou da de 1824.

[iv] ARAÚJO, Maria do Carmo R. A participação do Ceará na Confederação do Equador. In SOUZA, Simone de (org.). História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Stylus, 1989. P.139-148.

[v] ARAÚJO, Padre Francisco Sadoc de Araújo. Origem da cultura sobralense. Sobral: UVA, 2005.

[vi] Segundo informações de Sadoc, a mãe do professor Gregório, a Sra. Isabel Pinto de Mesquita, era filha do sargento-mor João Pinto de Mesquita e de Teresa de Oliveira, e, também, sobrinha do capitão Antônio Rodrigues Magalhães, proprietário da Fazenda Caiçara, berço de Sobral (@005, p.134). O título sargento-mor, na história militar, refere-se, na hierarquia do Exército do Brasil colonial e imperial, praça graduado entre tenente-coronel e capitão.

[vii] PAIVA, Oliveira. Dona Guidinha do poço: notas introdutórias e questionário de Sânzio de Azevedo. Fortaleza: ABC, 1999.
[viii] Citado por Raimundo Girão. O senador Pompeu: 1877-1977. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1977.

[ix] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004. O jornalista diz nesses termos: “ Sabia onde investir seu dinheiro. Para manutenção do jornal de seu partido Cearense, entregou ao senador Tomaz Pompeu de Souza Brasil, sogro do comendador Nogueira Accioly, cen contos de réis, cuja renda reverteria em favor daquele órgão de Imprensa.” (p.87)

[x] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004.

Um pouco sobre o patrono senador e padre Tomaz Pompeu de Sousa Brasil



Atília Martins, filha de Vicente Martins, ao lado do
presidente da ASEL, acadêmico Edison de Abdrade

Patrono – A primeira vez que soube de Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, patrono da cadeira nº 26, agora, ocupada por mim, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi através do escritor cearense Nertan Macedo. Em 1982, ainda aluno do ensino médio do Colégio Militar de Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, Aldeota, onde fiz toda minha educação básica (ensino fundamental e ensino médio), recebi uma Revista Academia Cearense de Letras, oferta do meu professor de língua portuguesa e literatura acadêmico Pedro Paulo Montengro, hoje, ainda um grande amigo. No apêndice da revista, havia os endereços, para correspondência com os imortais. Foi assim que entrei em contato com escritores como Eduardo Campos e Nertan Macedo. Do escritor e dramaturgo Eduardo Campos, no encontro pessoal com o mesmo na Secretaria de Cultura, no governo de Gonzaga Mota, solicitei livros e um emprego. Presenteou-me com livros de sua autoria e, quanto ao emprego, disse-me, assim, resumidamente: rapaz, peça emprego a político não, faça todos os concursos que aparecerem, não é tempo de depor as luvas. Senti-me envergonhado e nunca mais bati a porta de político, grande ou pequeno, para pedir emprego. E até hoje não consegui uma emprego sem que não fosse pelo caminho do concurso público ou da seleção pública, sempre exigindo, de mim, dedicação aos estudos na área de minha atuação profissional, a de Letras. De Nertan Macedo, recebi, autografado, pelos correios, o livro o Clã de Santa Quitéria[i], prefaciado por Marcelo Pinto.
O livro trata de uma quinta família, os Pinto de Mesquita, das ribeiras do Acaracu, hoje, por força da eufonia, denominado Acaraú. O Capítulo VI, da referida obra, sob o título “O senador Tomás Pompeu, um pioneiro”, é dedicado ao herdeiro dos Pinto de Mesquita, considerado por Nertan Macedo, um pioneiro no campo de atuação política, clerical, jornalística, cultural e educacional. Durante quase uma década, mantive regular correspondência ou, por algum tempo, apenas postais por ocasião do final de ano (Natal e Boas Festas) com o escritor Nertan Macedo. Pude apurar em minha hemoroteca particular, que Logo depois de ter servido como assessor de imprensa do primeiro governo de Virgílio Távora, Nertan Macedo foi ser assessor de imprensa da presidência da Confenderação Nacional da Indústria, na administração do engenheiro Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto. Herdaram seu nome completo: o filho, um sobrinho e um neto.
No meu breve discurso sobre meu patrono Thomás Pompeu de Sousa Brasil, jurisconsulto, sábio, escritor, estadista, levita, industrioso, paciente, inteligente, tenaz,severo, sóbrio, orador fluente e consumado, conselheiro,austero,nobre,simpático,ilustrado,assíduo, abnegado, desinteressado, homem de olhar arguto, enfim, um senador contumaz e convincente, qualificações que pude extrair dos estudos sobre Pompeu, ao longo dos dias de preparação do meu discurso de posse, e, por isso, por favor, permitam-me limitar minha fala à sua atuação como professor, educador, diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução na província cearense, e, mesmo assim, senhoras e senhores e estudantes, não darei conta, tamanha e extraordinária é a extensão e dimensão da atuação cultural de Tomás Pompeu. Do padre e do político, isto é, do senador padre imperial
[ii], apenas pinçarei, agora, alguns casos ou traços pitorescos, anedóticos e interessantes de Tomas Pompeu, descritos, segundo Hugo Catunda, secundado por Nertan Macedo, provavelmente por seu filho, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, membro da Academia Cearense de Letras, que nos permite hoje, passados tantos, avaliar melhor seu esboço biográfico, publicado no jornal “ A República”, em 3 de setembro de 1909, “alguns subsídios sobre a vida e a atuação do Senador Pompeu” (MACEDO: 1980, p.51):
O senador padre Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.Nasceu na cidade de Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Em junho passado, comemoraram-se, portanto, 190 anos de aniversário de nascimento de Tomás Pompeu.
O sobrenome Brasil dado, no início do século XIX, pelo pai, um liberal “patriota”
[iii], segundo Abelardo Montenegro, era o costume de usar nomes nacionais a fim de apor ou substituir os nomes menos nativos. As famílias passaram a usar nome nacionalista que expressava algo pecular à terra brasileira.
Filho de Tomás d’Aquino Sousa e dona Geracina Isabel de Sousa.Observamos que o senador Pompeu herdou seu nome Tomás do pai(no caso deste, seguido de Aquino e Sousa), que era primo do Padre Mororó, figura central e mártir da Revolução de 1824. O pai do senador Pompeu compactuava com a Revolução de 1824, assinando, inclusive, a ata do Conselho de Revolução de 1824, e, por sua opção ideológica, sofreu perguições que o levaram à penúria de sofrimentos e haveres. A esse respeito,há interessante artigo de Maria do Carmo R. Araújo, professora do Curso de História da UFC
[iv].
O senador Pompeu fez seu curso primário em Santa Quitéria, tendo por mestre seu próprio pai, Capitão Tomás Aquino de Sousa, “homem suficientemente instruído, pois abandonora o Seminário de Olinda quando já cursava o primeiro ano de Teologia”.
O pai Tomás d’Aquino Sousa o destinou para a carreira do Sacerdódico, tendo matriculado Tomás Pompeu, , na Aula Régia de Latim de Sobral, regida pelo seu materno, advogado Gregório Francisco Torres de Vasconcelos. No capítulo “Os passos da educação”, em seu prestimoso livro Origem da Cultura Sobralense, padre Francisco Sadoc de Araújo (2005)
[v]fala da caráter do professor Gregório,nascido em 17 de novembro de 1785, na Fazenda Flores, sertão de Santa Quitéria, filho primogênito do matrimônio de Gregório José Torres e Vasconcelos e de Isabel Pinto de Mesquita[vi]. Gregório era titular de aula de Gramática Latina da vila sobralense, oficialmente em 26 de junho de 1825 (p.133). Sadoc refere-se ao professor Gregório Francisco como um “homem íntegro e de muito caráter” corajoso e reagia, como autêntico liberal, os atos de prepotência do presidente da Província José Martiniano de Alencar. Relata-nos o cônego Sadoc que entre os “alunos adiantados” de Gregório Francisco, destacava-se seu sobrinho, o jovem Tomás Pompeu de Sousa Brasil que chegara a Sobral a 23 de fevereiro de 1834, com 16 anos de idade, tendo estudado durante mais de dois anos com seu tio professor” (ARAÚJO: 2005, p.137). E conclui Sadoc: “Tomás Pompeu viajou depois para Olinda onde se fez sacerdote e advogado. Retornando ao Ceará, militou na política tornando-se, nacionalmente, famooso no tempo em que exercia mandato no Senado do Impérito. Senado Pompeu, quando estudava em Sobral, a 20 de julho de 1836, solicitou da Câmara atestado de pobreza e de boa conduta, no que foi atendido. Seu tio, o admirável professor Gregório Francisco, a quem Sobral muito deve, faleceu a 13 de abril de 1868 e foi sepultado na Matriz sobralense deixando viúva sua mulher Antônia Gregorina que, por sua vez, expirou a 12 de janeiro de 1887, com 92 anos de idade”. (ARAÚJO: 2005, p.137-138, grifos nossos)
Ainda em 1835, matriculou-se o Senador Pompeu no Seminário Diocesano. Em 1836, foi aprovada para Academia Jurídica, em Olinda, Pernambuco.Em 1837, em duas épocas, foi aprovado em Filosofia, Aritmética, Álegebra, Geometria, Francês, inglês. Em 1838, aprovado em em Gografia, História, Retórica e História Sagrada.Em 1839, era submetido, no Seminário Diocesano, a ato de Teologia Dogmática. Em 1840, o futuro sacerdote foi provido, em 21 de novembro, na Cadeira de Teologia do Seminário.Em 1840, o seminarista Pompeu de Sousa Brasil recebia as ordens de diácono, sendo aprovado em exame Sinodal pelo bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão, ordenando-se Sacerdote no dia de setembro de 1841, aos 23 anos, no Palácio da Solidade(Sede do Bispado.Em 2 de março de 1843, portanto, aos 25 anos, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
O padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil é o personagem Padre Brasil, do romance Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva. Há uma passagem no romance em que faz referência ao senador: Quim, o Major Joaquim Damião, ao ler um bilhete, assinado por um “amigo da paz” (na verdade, era Guida), resolveu ir para Capital: “ Aí chegando, porém, em vez de consultar ao facultativo, foi pedir garantias para a sua vida ao Chefe da Polícia, e aconselhar-se com o Padre Brasil a respeito do desquite” (PAIVA: 1999, p.162)
[vii]
Leitor de Camões, em seu livro Compêndio de Geografia, adotado no País, traz como epígrafe: “Eu desta glória só fico contente/Que a minha terra amei e a minha gente”. Os versos, na íntegra, são assim: “Aos bons ingenhos. A vós só canto, espritos bem nascidos,/A vós, e às Musas ofereço a lira,/Ao Amor meus ais, e meus gemidos,/Compostos do seu fogo, e da sua ira,/Em vossos pleitos são, limpos ouvidos,/Caiam meus versos, quais me Febo inspira./Eu desta glória só fico contente,/Que a minha terra amei, e a minha gente”.
O Senador Pompeu tinha especial predileção pelo estudo da Geografia e escreveu um livro “ensaio Estístisco da Província do Ceará” (em 1859). Escreveu muitos trabalhos e livros, dos quais, citaria alguns: “Princípios Elementares de Geografia” (para uso do Liceu do Ceará, em 1850); “Compêndio de Geografia (1856); “Memória estatística da Província do Ceará, em dois volumes (1859) e “Compêndio de Geografia Geral e Especial do Brasil”, a maioria, oficialmente, adotada no Colégio Pedro II, nos Liceus e Seminários do Brasil.
Pioneirismo cultural de Pompeu
Instituiu, em 1845, aos 27 anos, o ensino secundário no Ceará, com a fundação do velho Liceu do Ceará, atendendo convite do presidente do Ceará, coronel Inácio Correia de Vasconcelos. Segundo Tomás Pompeu, o filho-biógrafo, “as cerimônias do magistério tinham para o seu espírito mais atrativos do que as cerimônias eclesiásticas” (MACEDO: 1980, P.54). O Liceu instituiu um ensino centralizado e de qualidade, permitindo ao seu responsável o controle da formação dos provincianos. Comentando sobre o valor do Liceu no século XIX, para o Ceará, o cônego Sadoc Araújo diz: “ Criado pela Lei 304, de 15 de julho de 1844, o Liceu do Ceará veio trazer novos rumos ao ensino de toda a Província, tornand0-se modelo para as demais escolas cearenses” (ARAÚJO: 2005, p.146). E acrescenta: “ O artigo 8º da Lei 501, de 14 de dezembro de 1849, detertiminava que não mais poderia ser criada qualquer escola na Província sem prévia licença do Presidente, ouvido o Diretor do Liceu. Este dispositivo se por um lado restringir a iniciativa particular, por outro lado, concorria para o aprimoramento do ensino, já que as permissões só eram das a professores devidamente examinados e aprovados nas matérias que pretendiam lecionar” (Ibidem).
Em 1845, foi inspetor-geral da Instrução, fazendo longa excursão pelo interior, visitando as escolas primárias, disseminadas nas diversas localidades da Província.
Há mais de 160 anos, Tomás Pompeu defendia a reforma da escolar popular, isto é, do sistema escolar dominante: criticava a escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculo, leitura e escrita, como ocorria (e ocorre) com as escolas primárias daquele tempo, longe, como diz Nertam Macedo (p.63), “ do ideal da verdadeira escola popular”. A grade curricular estabelecida, oficialmente, em 1844, definia as seguintes disciplinas: Filosofia Racional e Moral; Retórica e Poética; Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Geografia e História; Latim; Francês e Inglês. Apesar da quebra de uma formação exclusivamente literária da aulas clássicas de Latim, quando tomou o encargo de diretor de Instrução Pública, achou tal configuração curricular demasiadamente abstrata para nossa realidade e dizia, em relatório enviado ao Presidente da Província: “Cada povo deve aprender principalmente aquilo de que mais precisa para aumentar os cômodos da vida”
[viii]. (GIRÃO: 1977, p.12). Na proposição curricular de Pompeu, a nova configuração curricular era mais ou menos esta: Curso Religioso “ Católico”; Artes Liberais (Desenho e Música); Ciências Naturais: Física; Mecânica; Botânica, Agricultura; Geometria e Agrimensura. Na proposta de Pompeu, quebrava-se a formação exclusivamente voltada para as belas letras.
Com a ascensão dos conservadores à estrutura de poder, Pompeu foi exonerado da direção do Liceu, porque era do partido liberal. Com a subida dos liberais, voltou à direção do Liceu, e apresentou um relatório ao presidente da Província, no qual insiste em suas idéias reformistas
As idéias de Pompeu divulgadas há 160 anos, tem agora plena e oportuna atualidade: dizia ela, não há mais lugar para a escola tradicionalista, de métodos puramente memoralistas, e sim, de uma escola que eduque para o trabalho e para a vida
A escola ideal para Tomás Pompeu deveria, além de instruir, preparar o educando para as “aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia” (MACEDO: 1980, p.63)
Defendia a preparação profissional do mestre, o qual, a par de novos conhecimentos, deveria promover uma “escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o educando num homem do futuro – adestrado para viver e vencer no meio”.
Foi nomeado e diretor e lente da cadeira de Geografia e História no Liceu do Ceará, com que o distinguiu o governo da Província.
Aperfeiçoou-se nesse período em que foi diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução aos estudos da língua portuguesa e das línguas estrangeiras (Francês, Inglês) e clássica (Latim).
Habituado à leitura diária de Horácio, Virgílio, Tácito, Lucrécio, Juvenal, Ovídio, Camões, Milton, Bussuet, Lamartine, Vieira e outros clássicos
Leitor familiar de Cícero, Demóstenes, Fenelon e Vergniaud, mestres da eloqüência e dos modelos portentosos da dicção oratória.
Gostava da leitura silenciosa e devotado à paz do seu gabinete de trabalho.
Era um apaixonado pelos problemas da educação na sua Província.
Pioneirismo político de Pompeu
· Em 1845, foi eleito primeiro suplente de deputado geral, tendo tomado assento na Câmara Temporária, com o falecimento do deputado nato padre Costa Barros.
· No dia 9 de janeiro de 1864, aos 46 anos, foi nomeado por Pedro II senador imperial através de Carta Imperial
· Era Pompeu um admirador do sábio Agassiz
· Fundou em 16 de outubro de 1846, com o apoio do seu amigo sobralense Francisco de Paulo Pessoa, o jornal “ O Cearense”, órgão do Partido liberal. Do sobralense, o Senador Pompeu recebeu 100 contos de réis para comprar as máquinas necessárias à instalação e impressão do jornal
[ix].
· Foi amigo íntimo de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, senador, jornalista, poeta e dos mais destacados chefes do Partido Liberal na Monarquia.
· Em 1877, quando o Ceará sofreu na carne com a grande seca, contando com retardo e limitações de auxílios e recursos para os flagelados, patrocinados pelo Partido Conservador, presidido pelo Barão de Cotegipe, Pompeu revoltou-se, escrevendo, em O Cearense, “libertem-se de um jugo ditatorial que nos mata...esqueçam-se do centro...proclamen s sua liberdade e autonomia”
· Era o Senador Pompeu legítimo político de José Martiniano de Alencar e do coronel Pessoa Anta, irmão do primeiro senador Paulo Pessoa. Segundo o jornalista Lustosa da Costa, o senador Paula Pessoa foi um dos responsáveis pela eleição de Pompeu à Câmara Alta do Império: “ Com ele – senador Pessoal -, a zona norte passa a exportar senador. Em 1846, ajuda a eleger Thomaz Pompeu, seu primo, nascido em Santa Quitéria, freguesia de Sobral, cuja carreira política financia” (COSTA: 2004, P.89)
[x].
· O senador Nogueira Acioly era seu genro.
· O Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que sofria de miopia, morreu no dia de 2 setembro de 1877, aos 59 anos, em Fortaleza, vítima de ataque cardíaco.
[i] MACEDO, Nertan. O Clã de Santa Quitéria: memória histórica sobre vaqueiros políticos e eruditos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renes, 1980. Autógrafo: “ Meu caro Vicente de Paula: É tudo quanto posso lhe mandar, atendendo sua cartinha. Espero que Você não desfaleça nos seus propósitos de se tornar um escritor. Mesmo neste País que pouca importância dá às coisas do espírito. Vá em frente e boa sorte! O abraço do Nertan Macedo. Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1982”.
[ii] FROTA, Dom José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª ed. Fortaleza: IOCE, 1995. Dom José faz referência, em seu monumental livro, ao Senador Padre Thomaz Pompeu descrito como “chefe do partido liberal do Ceará, cujo prestígio se irradiava por todo o Império e que, como Alencar recusara pasta de ministro, disse: “ A revolução do Equador, nas províncias do norte, em 1824, foi o resultado da dissolução da Constituinte; foi um protesto que os Carvalhos, de Pernambuco, os Alencares, do Ceará, e outros homens de influência levantaram contra aquele acto. As idéias republicanas desapareceram em 1831 com a “Abdicação” e em 1834 com o “Acto Adicional” (Sessão de 21 de fev. de 183” (p.331). Faz ainda referência a Thomas Pompeu sobre período de seca de 1790 a 1794,estudo levado a efeito pelo senador.(p.423).
[iii] Vale ressaltar que, em Pernambuco, no século XIX, a palavra patriota denotava defensor da revolução pernambucana de 1817 e ou da de 1824.
[iv] ARAÚJO, Maria do Carmo R. A participação do Ceará na Confederação do Equador. In SOUZA, Simone de (org.). História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Stylus, 1989. P.139-148.
[v] ARAÚJO, Padre Francisco Sadoc de Araújo. Origem da cultura sobralense. Sobral: UVA, 2005.
[vi] Segundo informações de Sadoc, a mãe do professor Gregório, a Sra. Isabel Pinto de Mesquita, era filha do sargento-mor João Pinto de Mesquita e de Teresa de Oliveira, e, também, sobrinha do capitão Antônio Rodrigues Magalhães, proprietário da Fazenda Caiçara, berço de Sobral (@005, p.134). O título sargento-mor, na história militar, refere-se, na hierarquia do Exército do Brasil colonial e imperial, praça graduado entre tenente-coronel e capitão.
[vii] PAIVA, Oliveira. Dona Guidinha do poço: notas introdutórias e questionário de Sânzio de Azevedo. Fortaleza: ABC, 1999.
[viii] Citado por Raimundo Girão. O senador Pompeu: 1877-1977. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1977.
[ix] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004. O jornalista diz nesses termos: “ Sabia onde investir seu dinheiro. Para manutenção do jornal de seu partido Cearense, entregou ao senador Tomaz Pompeu de Souza Brasil, sogro do comendador Nogueira Accioly, cen contos de réis, cuja renda reverteria em favor daquele órgão de Imprensa.” (p.87)
[x] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004.

DISCURSO DE POSSE DE VICENTE MARTINS NA ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS DESTACA PAPEL EDUCADOR DE LEILAH CABRAL




Diz Vicente Martins, em seu discurso de posse sobre sua antecessora:


Esta sensação de endeusação, ao certo, passou minha antecessora a professora e educadora Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho[i].


Foi empossada na cadeira, que hora ocupo, a de nº 26, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, em 19 de janeiro de 1992, ocupando a vaga surgida com o falecimento do acadêmico João Pompeu de Sabóia Magalhães, que tem como Patrono o senador Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.


Durante os dezesseis anos de acadêmica da A.S.E.L, segundo nos descreve o acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante[ii], Leilah foi “sempre assídua e conviveu amistosamente com todos os companheiros” e acrescenta: “ Honrou e cumpriu sua missão acadêmica com muito esmero e dedicação, por quase duas décadas” (CAVALCANTE: ASEL, 2008).


No discurso proferido pelo acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, na homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Joelho, são estes os epítetos e qualificativos atribuídos à homenageada, que consegui pinçar: “confreira da ASEL”; “uma das melhores alunas” do Colégio das Dourotéias (anos 40, do século passado); “exímia pianista”, “gostava muito de declamar, principalmente o poema “Beijos”; “protagonista de algumas novelas”; “jóia que se tornou tão sobralense quanto às mais puras e íntegras conterrâneas”; “cidadã sobralense através da Lei 398/74, de 22 de fevereiro de 1974”; “saudosa companheira”, “grande dama”; “uma diva”; “mulher que marcou época na cidade de Sobral”; “ mulher com presença marcante e evidente”; “uma dama de incomum amabilidade e altamente carismática”; “uma pessoa de destaque”; “participante ativa, ao lado de seu esposo, no Lions Clube Sobral e outros”; “Adorava dançar e admirar os casais de enamorados bailando”; “Mulher de carisma, finesse, de segurança e de conhecimentos à frente Delegacia Regional de Ensino de Sobral, hoje, CRED” e conclui o acadêmico Arnaud: “ Leilah era dessas pessoas que a gente sempre queria ao nosso lado” e dizia máximas do tipo: “ A música e o perfume fazem milagres” e “O amor é fundamental e, com ele, se consegue tudo na vida”. Falarei agora do meu Patrono, senador Pompeu.


[i] CAVALCANTE, Arnaud de Holanda. Sessão da Saudade em homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho. Sobral: ASEL, 2008. Segundo o acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, dona Leilah nasceu em 29 de julho de 1921, na pequena Guaipuba, distrito de Pacatuba(CE).Casada com Edmundo Monte Coelho. Do casal, nasceram 5 filhos: José Roberto, Maria Benvinda, Leilahzinha, Edmundo Filho e Francisco Augusto, 16 netos e 20 bisnetos, com os quais teve grandes momentos de júbilo e muitas alegrias.


[ii] CAVALCANTE, Arnaud de Holanda. Sessão da Saudade em homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho. Sobral: ASEL, 2008. O discurso proferido pelo acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, representando a Academia Sobralense de Estudos e Letras-ASEL, foi realizado no dia 8 de julho de 2008, no Auditório do Memorial do Ensino Superior de Sobral (MESS), em Sobral, onde compareceram familiares da homenageada e o professor Vicente Martins, a convite do acadêmico José Luís Lira. [Série Discursos Acadêmicos]

VICENTE MARTINS DESTACA O PAPEL DE LUCIENE EM SUA VIDA

Luciene Martins é esposa de Vicente Martins




Permitam-me fazer mais dois cumprimentos mui especiais.



O primeiro, a Luciene de Abreu Martins, minha esposa, amiga e companheiro de 30 anos, que desde 1978, guarda, com zelo, meus alfarrábios literários (poemas, principalmente) e minhas filhas queridas Atília de Abreu Martins, futura docente no magistério de Letras e minha bilu-bilu Mariana de Abreu Martins que, em estatura, já ultrapassou o pai. Agradeço, pois, a minha família que me apóia sempre e por estar ao meu lado: Luciene e filhas.

VICENTE MARTINS AGRADECE O APOIO DA UVA

Ao fundo, o acadêmico e chefe de
Gabinete da UVA,
Professor e advogado José Lira


No seu discurso, Vicente Martins agradece o apoio da administração da UVA ás suas atividades acadêmicas no Curso de Letras.

Meus confrades-calouros, colegas de UVA, Profª e Drª Rebeca Sales Viana e Prof. Manuel Valdeci de Vasconcelos. À Direção do Centro de Letras da UVA, a Coordenação do Curso, à Administração Superior da UVA, desde nosso, para sempre, magnífico e excelentíssimo Teodoro Soares, também desta Academia e, em especial, ao atual reitor professor Antônio Colaço Martins e seu chefe de gabinete, professor José Luis Lira e, de forma mui especial, minha gratidão aos meus queridos alunos do Curso de Letras, graduação e pós-graduação, que sempre prestigiaram minhas aulas de Lingüística, Língua Portuguesa, Leitura e Escrita e me fazem elogios rasgados e beirando à hipérbole no tocante à minha modesta prática docent
e

NO DISCURSO, VICENTE MARTINS A PERSONALIDADE DO PRESIDENTE ANDRADE COM 26 EPÍTETOS

A estudante de Letras(UFC) Atília Martins,
filha do professor Vicente Martins, ao lado do
presidente da Academia Sobralense de Letras,
acadêmico Edison de Andrade(UVA)
Durante se seu discurso de posse Vicente Martins, no dia 12 de setembro, fez uma homenagem ao acadêmico edison de Andrade(UVA), presidente da Academia Sobralense de Estudos e Letras
Sr. Presidente da Academia Sobralense de Estudos e Letras, amigo,cordial, cortês, dedicado, prazenteiro, democrático, fraterno, agradável, pacato,generoso, gentil, humano, liberal, honrado, magnânimo, manso, nobre, discreto, distinto, fino, palaciano, civilizado, humilde, polido, solícito e diplomático.
Com estes 26 epítetos rendo minhas homenagens a você, acadêmico João Edison de Andrade.

OS IMORTAIS DA ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS - 2008




Senhoras e senhores acadêmicos[i]. Grato pelos votos dados a mim no último dia 19 de agosto. Com esse título, que muito me envaidece, dou um novo passo na minha vida cultural e profissional em Sobral, no Ceará e, quiçá, no Brasil. Agora, não me sinto mais um filho sem pai nem mãe, ao contrário, sinto-me, realmente, um filho adotado pelo povo sobralense, e, verdadeiramente, um sobralense e reconhecido por autoridades desta cidade que já amo tanto. Sinto uma alegria muito grande em receber esta distinção cultural do Sobral de Domingos Olímpio.


Agradeço aos colegas imortais pela confiança que depositaram em mim.


[i] Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008: Cad. nº 01 – José Sombra – Titular: Evaristo Linhares Lima; Cad.nº 02 – General Antônio Sampaio – Titular: José Ferreira Portella Netto; nº 03 – Eduardo da Rocha Salgado – Titular: Eduardo da Rocha Salgado; Cad. nº 04 – Adolfo Ferreira Caminha – Titular: Francisco Jerônimo Torres; Cad. nº 05 – Antônio Domingues Silva – Titular: Francisco Sampaio Sales; Cad. nº 06 – Antônio Rodrigues Junior – Titular: José Edvar Costa de Araújo; Cad. nº 07 – Tristão de Alencar Araripe – Titular: Ataliba Araújo Moura; Cad. nº 08 – José Cardoso de Moura Brasil – Titular: Raimundo Nonato Arcanjo; Cad. nº 09 – Monsenhor José Leorne Menescal – Titular: Almino Rocha Filho ; Cad. Nº 10 – Antônio Bezerra de Menezes – Titular: Pe. Jairo Linhares Pontes; Cad. Nº 11 – Júlio César da Fonseca Filho – Titular: Aloísio Ribeiro Ponte; Cad. nº 12 Manuel do Nascimento A. Linhares – Titular: Petrônio Augusto Pinheiro; Cad. 13 José Martiniano de Alencar – Titular: Maria Norma Maia Soares; Cad. Nº 14 – Justiniano de Serpa – Titular: Francisco de Assis Vasconcelos Arruda; Cad. Nº 15 – Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho – Titular: Cônego Francisco Sadoc de Araújo; Cad. Nº 16 – Padre João Augusto da Frota – Titular: José Edinardo Albuquerque Silveira; Cad. Nº 17 – Antônio Augusto de Vasconcelos – Titular: João Edison de Andrade; Cad. Nº 18 – Padre Antônio Tomaz – Titular: José Dimas de Carvalho Muniz; Cad. Nº 19 – Dom Jerônimo Tomé de Saboya e Silva – Titular: Vicente Abdias Fernandes; Cad. Nº 20 – Vicente Ferreira de Arruda – Titular: Ciro Ferreira Gomes; Cad. Nº 21 – General Antônio Tibúrcio Ferreira Junior – Titular: Rebeca Sales Viana; Cad. Nº 22 – José Julio de Albuquerque e Barros (Barão de Sobral) – Titular: Gabriel Assis Araújo Vasconcelos; Cad. Nº 23 – Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva – Titular: Francisco Antônio Tomaz Ribeiro Ramos; Cad. nº 24 – Padre Antônio Pereira Ibiapina – Titular: José Luis Araújo Lira; Cad. nº 25 – Vicente Cândido Figueira de Saboya – Titular: José Teodoro Soares; Cad. nº 26 - Tomaz Pompeu de Sousa Brasil – Título: Vicente de Paula da Silva Martins (Vicente Martins); Cad. nº 27 – Antônio Sales – Títular: Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene; Cad. nº 28 – Domingos Olímpio Braga Cavalcante – Titular: João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante; Cad. Nº 29 – João Marinho de Andrade – Titular: Gisela Nunes da Costa; Cad. nº 30 – Clóvis Beviláqua – Titular: Arnaud de Holanda Cavalcante; Cad. Nº 31 – Antônio Firmo Figueira de Saboya – Titular: Glória Giovana Saboya MontÁlverne; Cad. nº 32 – Guilherme Stuart (Barão de Studart) – Titular: Francisco Régis Frota Araújo; Cad. nº 33 – João Capistrano de Abreu – Titular: Edison Luis Rodrigues de Almeida; Cad. nº 34 – José Pedro Soares Bulcão – Título: Francisco José Soares; Cad. nº 35- Leonardo Mota – Titular: Hebert Vasconcelos Rocha; Cad. nº 36- Afrânio Peixoto – Titular: Raimundo Rodrigues Pinto; Cad. nº 37- Padre Valdivino Nogueira – Titular: Monsenhor Tibúrcio Gonçalves de Paula; Cad. nº 38-José Cordeiro de Andrade – Titular: Francisco Santamaría M. Parente; Cad. nº 39-José Lino da Justa – Titular: João Ambrósio de Araújo Filho e Cad. nº 40-José Lourenço Aguiar – Titular: Padre José Linhares Ponte.

VICENTE MARTINS DEDICA SUA POSSE NA ASEL À SUA MÃE PEDRINA MARIA DA SILAVA MARTINS



O segundo, uma dedicatória desta memorável noite à minha mãe Pedrina Maria da Silva Martins que, hoje, completaria seus 70 anos. Não está mais entre nós, mas, para mim, ficou um exemplo de guerreira que só encontro num apóstolo Paulo, um exemplo de mulher corajosa, trabalhadora e zelosa e que, mesmo com sua baixa instrução escolar e com a humilde profissão de lavadeira, deu-me, sob a égide de Deus e de seu trabalho diário, o conforto, a alimentação e a melhor educação, formal e informal, como se fosse uma matriarca das melhores famílias burguesas e religiosas do Ceará.


Dedico esta cadeira outorgada a mim pelos imortais da Academia Sobralense à minha mãe, que tão bem me criou e me incentivou a estudar. Realmente, se não fosse por você, mãezinha, por sua garra, não teria chegado aonde cheguei.


Grato, mãezinha, pela pequena máquina (Olivetti) de escrever e os primeiros livros que me ofertou, em 1967, inclusive um dicionário completo, sob o pretexto de me tirar do ócio da mocidade e me fazer crer que o caminho a percorrer não era o das ruas de Fortaleza ou da marginalidade precoce, mas o da construção de uma cidadania ativa e exemplo de cristão autêntico (uma busca incessante, meus amigos), seja como professor, militar, jornalista ou escritor que julguei um dia tudo isso poder, mas do ambicioso desiderato dos anos setenta apenas me tornei um professor feliz e realizado profissionalmente. Em tudo o que sou, fiz e recebi, minha mãe, senhores e senhores, contribuiu decisivamente.


Por isso, nada mais justa esta dedicatória póstuma.

DISCURSO DE POSSE DE VICENTE MARTINS NA ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS

Acadêmico Vicente Martins - Cad. nº 26 -
Patrono: Senador Tomás Pompeu de Sousa
Brasil (1818-1877)



DISCURSO DE POSSE DE VICENTE MARTINS[i] NA
ACADEMIA SOBRALENSE DE ESTUDOS E LETRAS


(Sobral, MESS,ASEL,12.09.2008)

Inicialmente, meu boa noite a todos. Digo-lhes da imensa alegria de estarmos, aqui, reunidos, com todos vocês: acadêmicos, familiares, alunos, amigos e convidados.


Sr. Presidente da Academia Sobralense de Estudos e Letras, amigo,cordial, cortês, dedicado, prazenteiro, democrático, fraterno, agradável, pacato,generoso, gentil, humano, liberal, honrado, magnânimo, manso, nobre, discreto, distinto, fino, palaciano, civilizado, humilde, polido, solícito e diplomático. Com estes 26 epítetos rendo minhas homenagens a você, acadêmico João Edison de Andrade.


Sr. Acadêmico e autor de Fabulas Perversas, seu melhor livro,colega do Curso de Letras da UVA, impregnado da Ribeira do Acaraú, poeta e contista de muitos prêmios Dimas Carvalho, que nos brindou com seu discurso de recepção aos calouros e fez a saudação oficial da Academia.
Meus confrades-calouros, colegas de UVA, Profª e Drª Rebeca Sales Viana e Prof. Manuel Valdeci de Vasconcelos. À Direção do Centro de Letras da UVA, a Coordenação do Curso, à Administração Superior da UVA, desde nosso, para sempre, magnífico e excelentíssimo Teodoro Soares, também desta Academia e, em especial, ao atual reitor professor Antônio Colaço Martins e seu chefe de gabinete, professor José Luis Lira e, de forma mui especial, minha gratidão aos meus queridos alunos do Curso de Letras, graduação e pós-graduação, que sempre prestigiaram minhas aulas de Lingüística, Língua Portuguesa, Leitura e Escrita e me fazem elogios rasgados e beirando à hipérbole no tocante à minha modesta prática docente.


À cidade de Sobral e aos seus filhos que tão calorosamente me acolheram, desde 1994, e acreditaram e acreditam em mim. Minha eterna gratidão.


Um cumprimento particular ao autor de “No alpendre com Rachel: ensaio biográfico de Rachel de Queiroz”, o guaraciabense José Luis Lira, professor da UVA e advogado, que, depois da vontade de Deus, foi o principal incentivador, articulador e cabo eleitoral no meu processo de ingresso na Academia Sobralense.


Permitam-me fazer mais dois cumprimentos mui especiais. O primeiro, a Luciene de Abreu Martins, minha esposa, amiga e companheiro de 30 anos, que desde 1978, guarda, com zelo, meus alfarrábios literários (poemas, principalmente) e minhas filhas queridas Atília de Abreu Martins, futura docente no magistério de Letras e minha bilu-bilu Mariana de Abreu Martins que, em estatura, já ultrapassou o pai. Agradeço, pois, a minha família que me apóia sempre e por estar ao meu lado: Luciene e filhas.


O segundo, uma dedicatória desta memorável noite à minha mãe Pedrina Maria da Silva Martins que, hoje, completaria seus 70 anos. Não está mais entre nós, mas, para mim, ficou um exemplo de guerreira que só encontro num apóstolo Paulo, um exemplo de mulher corajosa, trabalhadora e zelosa e que, mesmo com sua baixa instrução escolar e com a humilde profissão de lavadeira, deu-me, sob a égide de Deus e de seu trabalho diário, o conforto, a alimentação e a melhor educação, formal e informal, como se fosse uma matriarca das melhores famílias burguesas e religiosas do Ceará. Dedico esta cadeira outorgada a mim pelos imortais da Academia Sobralense à minha mãe, que tão bem me criou e me incentivou a estudar.


Realmente, se não fosse por você, mãezinha, por sua garra, não teria chegado aonde cheguei. Grato, mãezinha, pela pequena máquina (Olivetti) de escrever e os primeiros livros que me ofertou, em 1967, inclusive um dicionário completo, sob o pretexto de me tirar do ócio da mocidade e me fazer crer que o caminho a percorrer não era o das ruas de Fortaleza ou da marginalidade precoce, mas o da construção de uma cidadania ativa e exemplo de cristão autêntico (uma busca incessante, meus amigos), seja como professor, militar, jornalista ou escritor que julguei um dia tudo isso poder, mas do ambicioso desiderato dos anos setenta apenas me tornei um professor feliz e realizado profissionalmente. Em tudo o que sou, fiz e recebi, minha mãe, senhores e senhores, contribuiu decisivamente. Por isso, nada mais justa esta dedicatória póstuma.


Senhoras e senhores acadêmicos[ii]. Grato pelos votos dados a mim no último dia 19 de agosto. Com esse título, que muito me envaidece, dou um novo passo na minha vida cultural e profissional em Sobral, no Ceará e, quiçá, no Brasil. Agora, não me sinto mais um filho sem pai nem mãe, ao contrário, sinto-me, realmente, um filho adotado pelo povo sobralense, e, verdadeiramente, um sobralense e reconhecido por autoridades desta cidade que já amo tanto. Sinto uma alegria muito grande em receber esta distinção cultural do Sobral de Domingos Olímpio.
Agradeço aos colegas imortais pela confiança que depositaram em mim.

Aos 46 anos de idade, Deus, causa necessária e fim último de tudo que existe, ser supremo e criador do universo, permite a mim, esta noite, um êxtase incomensurável. É, realmente, uma sensação de deslumbramento e euforia incomuns.


De mim, se já não me escorrem dos olhos espigaitados as primeiras lágrimas de gratidão melíflua e de dulcíflua felicidade, doutra sorte, insiste, no âmago desta ventura acadêmica, um estranho mas previsível comedimento ou desvaidade pessoal e assim, em um gozo platônico, às margens do Rio Acaraú, de Sobral, Atenas do Ceará, já me compraz um generoso paradoxo de felícia e bem-estar no meu ingresso neste Silogeu do povo sobralense.


Agora, à medida que ouço a voz dos acadêmicos que me antecederam a fala e vejo e revejo, desta tribuna, olhos generosos dos amigos e convidados , brota-me do fôlego bendito que me resta nesta noite de volição, ansiedade e de muita emoção, uma inédita exaltação mística e, mais ainda, revela-se, de forma avassaladora, em minha alma, num átimo, um sentimento muito intenso de alegria que só a religiosidade explicaria: estou vivendo, neste 12 de setembro de 2008, nesse instante singular em minha vida, senhoras e senhores, uma atmosfera de encantamento sob efeito São Mateus, o da Parábola dos Talentos, no capítulo 25, nos versículos 14 a 30 que, resumidamente, conto numa linguagem de hoje. A partir daí serei breve e direi tudo que sinto nesse momento, e falarei do que meu coração está cheio.


Na Parábola dos Talentos, Evangelho de São Mateus[iii], um homem estava para empreender uma viagem. Chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens. Deu a um cinco talentos, a outro dois, a outro um, segundo a sua capacidade, e partiu. Logo em seguida, o que tinha recebido cinco talentos foi e negociou com eles, e ganhou cinco. Da mesma sorte o que eu tinha recebido dois, ganhou outros dois. Mas o que tinha recebido um só, indo, cavou na terra, e escondeu o dinheiro do seu senhor. Muito tempo depois, voltou o senhor daqueles servos, e chamou-os a contas. Aproximando-se o que tinha recebido cinco talentos, apresentou-lhe outro cinco, dizendo: Senhor, tu entregaste-me cinco talentos, eis outros cinco que lucrei. Sem Senhor disse-lhe: Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei o governo de muitas; entra no gozo do teu senhor. Apresentou-se também o que tinha recebido dois talentos, e disse: Senhor, entregaste-me dois talentos, eis que lucrei outros dois. Seu senhor disse-lhe: Está bem, servo bom e fiel, já que foste fiel em poucas coisas, dar-te-ei o governo de muitas; entra no gozo do teu senhor. Apresentando-se também o que tinha recebido um só talento, disse: Senhor, sei que és um homens austero, que colhes onde não semeaste e recolhes onde não espalhaste; e, com receio, fui esconder o teu talento na terra; eis o que é teu. Então, respondendo o seu senhor, disse-lhe: Servo mau e preguiçoso, sabias que eu colho onde não semeei e eu recolho onde não espalhei; devias, pois, dar o meu dinheiro aos banqueiros, e, à minha volta, eu teria recebido certamente com juro o que era meu. Tirai-lhe, pois, o talento e dai-o ao que tem dez talentos. Porque ao que tem, dar-se-lhe-á e terá em abundância; mas ao que não tem, tirar-se-lhe-á até o que julga ter. E a esse servo inútil lançai-o nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes”
Receber o medalhão da Academia Sobralense
[iv] é, à guisa da Parábola, receber, de Sobral de Sadoc, um talento especial a mais no bojo das minhas, conquistas e vitórias pessoais, e muitas das minhas aspirações terrenas, senhoras e senhoras, cabe a mim agora revelar, chegaram-me por interferência diretamente de Deus – como a do concurso para a UVA em que estudei entre a 16 a 18 horas por dia, dormindo, pois, muito pouco e rezava 24 horas e pedia orações mais demoradas à minha mãe,então, viva, estendendo a corrente de orações aos amigos que acreditam no poder da oração, seja qual fosse o credo, ao professor Pedro (Petrus, o da pensão onde fiquei hospedado, juntamente com o acadêmico Dimas Carvalho e tantos outros colegas do Curso de Letras, em maio de 1994, para a realização do concurso) e ao Padre Oswaldo, seu vizinho), os dois últimos, inclusive, tiraram-me, em menos de 24 horas, dúvidas quanto à teoria da linguagem, das normas da língua portuguesa, lingüística e literatura e me orientaram, doutra sorte, de forma eficaz e eficiente, para a prova oral (aula) perante banca examinadora da UFC que nos avaliou.


Então, receber este medalhão é galardão dos céus, como forma de reconhecimento dos 26 anos difíceis, sofríveis, ansiosos, atentos, prazerosos e dedicados ao magistério na área de Letras, como professor de língua portuguesa na educação básica, na rede estadual de ensino do Ceará, no Colégio Militar de Fortaleza, onde também estudei, em escolas particulares como a Rede Farias Brito, 7 de Setembro, entre outros, localizados em Fortaleza, e como professor, há 14 anos, de formação de professores na área de Letras na UVA, e, como poeta bissexto.


E não pensem que no dia 19 de agosto, dia da minha eleição para a Academia, foi diferente, rezei muito, até que meu confrade José Lira me deu as notícias alvissareiras da minha eleição. Hoje, foi um dia inteiro de oração para não tremer ou fazer feio perante o escol da cultura sobralense.
Depois da histórica e costumeira genuflexão perante o altar de Deus, pedi ao presidente Edison Andrade uma tribuna para disfarçar a tremedeira das mãos (Pensei até em amarrar meus pés a um pedestal).
E para a dislexia não me embaralhar as letras nem a vista ficar turva, apelei até mesmo para Santa Luzia, a quem, desde 2003, tenho a mais plena convicção da sua força intercessora em favor daqueles que apelam por alguma graça espiritual. Em substância, este júbilo me leva a fazer agora uma inédita e insofismável declaração de amor a uma menina, moça mimada, minha letícia, minha claridade matinal doçura (como diria Rubem Braga), de mais de dois séculos de existência, de quem tenho feito todas as suas vontades e, ela, as minhas: minha Princesinha do Norte, minha querida Sobral de Dom José Tupinambá da Frota.


A seguir, falarei da minha antecessora professora Leilah Cabral na cadeira de nº 26 da Academia. Depois, comentarei sobre o pioneirismo cultural do meu patrono senador Pompeu e por fim, falarei de minhas disposições e perspectivas de atividade acadêmica como membro da A.S.E.L.


Antecessora – Esta sensação de endeusação, ao certo, passou minha antecessora a professora e educadora Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho[v].


Foi empossada na cadeira, que hora ocupo, a de nº 26, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, em 19 de janeiro de 1992, ocupando a vaga surgida com o falecimento do acadêmico João Pompeu de Sabóia Magalhães, que tem como Patrono o senador Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.
Durante os dezesseis anos de acadêmica da A.S.E.L, segundo nos descreve o acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante
[vi], Leilah foi “sempre assídua e conviveu amistosamente com todos os companheiros” e acrescenta: “ Honrou e cumpriu sua missão acadêmica com muito esmero e dedicação, por quase duas décadas” (CAVALCANTE: ASEL, 2008).


No discurso proferido pelo acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, na homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Joelho, são estes os epítetos e qualificativos atribuídos à homenageada, que consegui pinçar: “confreira da ASEL”; “uma das melhores alunas” do Colégio das Dourotéias (anos 40, do século passado); “exímia pianista”, “gostava muito de declamar, principalmente o poema “Beijos”; “protagonista de algumas novelas”; “jóia que se tornou tão sobralense quanto às mais puras e íntegras conterrâneas”; “cidadã sobralense através da Lei 398/74, de 22 de fevereiro de 1974”; “saudosa companheira”, “grande dama”; “uma diva”; “mulher que marcou época na cidade de Sobral”; “ mulher com presença marcante e evidente”; “uma dama de incomum amabilidade e altamente carismática”; “uma pessoa de destaque”; “participante ativa, ao lado de seu esposo, no Lions Clube Sobral e outros”; “Adorava dançar e admirar os casais de enamorados bailando”; “Mulher de carisma, finesse, de segurança e de conhecimentos à frente Delegacia Regional de Ensino de Sobral, hoje, CRED” e conclui o acadêmico Arnaud: “ Leilah era dessas pessoas que a gente sempre queria ao nosso lado” e dizia máximas do tipo: “ A música e o perfume fazem milagres” e “O amor é fundamental e, com ele, se consegue tudo na vida”. Falarei agora do meu Patrono, senador Pompeu.


Patrono – A primeira vez que soube de Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, patrono da cadeira nº 26, agora, ocupada por mim, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi através do escritor cearense Nertan Macedo. Em 1982, ainda aluno do ensino médio do Colégio Militar de Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, Aldeota, onde fiz toda minha educação básica (ensino fundamental e ensino médio), recebi uma Revista Academia Cearense de Letras, oferta do meu professor de língua portuguesa e literatura acadêmico Pedro Paulo Montengro, hoje, ainda um grande amigo. No apêndice da revista, havia os endereços, para correspondência com os imortais. Foi assim que entrei em contato com escritores como Eduardo Campos e Nertan Macedo. Do escritor e dramaturgo Eduardo Campos, no encontro pessoal com o mesmo na Secretaria de Cultura, no governo de Gonzaga Mota, solicitei livros e um emprego. Presenteou-me com livros de sua autoria e, quanto ao emprego, disse-me, assim, resumidamente: rapaz, peça emprego a político não, faça todos os concursos que aparecerem, não é tempo de depor as luvas. Senti-me envergonhado e nunca mais bati a porta de político, grande ou pequeno, para pedir emprego. E até hoje não consegui uma emprego sem que não fosse pelo caminho do concurso público ou da seleção pública, sempre exigindo, de mim, dedicação aos estudos na área de minha atuação profissional, a de Letras. De Nertan Macedo, recebi, autografado, pelos correios, o livro o Clã de Santa Quitéria[vii], prefaciado por Marcelo Pinto.


O livro trata de uma quinta família, os Pinto de Mesquita, das ribeiras do Acaracu, hoje, por força da eufonia, denominado Acaraú. O Capítulo VI, da referida obra, sob o título “O senador Tomás Pompeu, um pioneiro”, é dedicado ao herdeiro dos Pinto de Mesquita, considerado por Nertan Macedo, um pioneiro no campo de atuação política, clerical, jornalística, cultural e educacional. Durante quase uma década, mantive regular correspondência ou, por algum tempo, apenas postais por ocasião do final de ano (Natal e Boas Festas) com o escritor Nertan Macedo. Pude apurar em minha hemoroteca particular, que Logo depois de ter servido como assessor de imprensa do primeiro governo de Virgílio Távora, Nertan Macedo foi ser assessor de imprensa da presidência da Confenderação Nacional da Indústria, na administração do engenheiro Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto. Herdaram seu nome completo: o filho, um sobrinho e um neto.


No meu breve discurso sobre meu patrono Thomás Pompeu de Sousa Brasil, jurisconsulto, sábio, escritor, estadista, levita, industrioso, paciente, inteligente, tenaz,severo, sóbrio, orador fluente e consumado, conselheiro,austero,nobre,simpático,ilustrado,assíduo, abnegado, desinteressado, homem de olhar arguto, enfim, um senador contumaz e convincente, qualificações que pude extrair dos estudos sobre Pompeu, ao longo dos dias de preparação do meu discurso de posse, e, por isso, por favor, permitam-me limitar minha fala à sua atuação como professor, educador, diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução na província cearense, e, mesmo assim, senhoras e senhores e estudantes, não darei conta, tamanha e extraordinária é a extensão e dimensão da atuação cultural de Tomás Pompeu. Do padre e do político, isto é, do senador padre imperial[viii], apenas pinçarei, agora, alguns casos ou traços pitorescos, anedóticos e interessantes de Tomas Pompeu, descritos, segundo Hugo Catunda, secundado por Nertan Macedo, provavelmente por seu filho, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, membro da Academia Cearense de Letras, que nos permite hoje, passados tantos, avaliar melhor seu esboço biográfico, publicado no jornal “ A República”, em 3 de setembro de 1909, “alguns subsídios sobre a vida e a atuação do Senador Pompeu” (MACEDO: 1980, p.51):
O senador padre Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.Nasceu na cidade de Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Em junho passado, comemoraram-se, portanto, 190 anos de aniversário de nascimento de Tomás Pompeu.


O sobrenome Brasil dado, no início do século XIX, pelo pai, um liberal “patriota”[ix], segundo Abelardo Montenegro, era o costume de usar nomes nacionais a fim de apor ou substituir os nomes menos nativos. As famílias passaram a usar nome nacionalista que expressava algo pecular à terra brasileira.
Filho de Tomás d’Aquino Sousa e dona Geracina Isabel de Sousa.Observamos que o senador Pompeu herdou seu nome Tomás do pai(no caso deste, seguido de Aquino e Sousa), que era primo do Padre Mororó, figura central e mártir da Revolução de 1824. O pai do senador Pompeu compactuava com a Revolução de 1824, assinando, inclusive, a ata do Conselho de Revolução de 1824, e, por sua opção ideológica, sofreu perguições que o levaram à penúria de sofrimentos e haveres. A esse respeito,há interessante artigo de Maria do Carmo R. Araújo, professora do Curso de História da UFC
[x].


O senador Pompeu fez seu curso primário em Santa Quitéria, tendo por mestre seu próprio pai, Capitão Tomás Aquino de Sousa, “homem suficientemente instruído, pois abandonora o Seminário de Olinda quando já cursava o primeiro ano de Teologia”.


O pai Tomás d’Aquino Sousa o destinou para a carreira do Sacerdódico, tendo matriculado Tomás Pompeu, , na Aula Régia de Latim de Sobral, regida pelo seu materno, advogado Gregório Francisco Torres de Vasconcelos. No capítulo “Os passos da educação”, em seu prestimoso livro Origem da Cultura Sobralense, padre Francisco Sadoc de Araújo (2005)[xi]fala da caráter do professor Gregório,nascido em 17 de novembro de 1785, na Fazenda Flores, sertão de Santa Quitéria, filho primogênito do matrimônio de Gregório José Torres e Vasconcelos e de Isabel Pinto de Mesquita[xii]. Gregório era titular de aula de Gramática Latina da vila sobralense, oficialmente em 26 de junho de 1825 (p.133). Sadoc refere-se ao professor Gregório Francisco como um “homem íntegro e de muito caráter” corajoso e reagia, como autêntico liberal, os atos de prepotência do presidente da Província José Martiniano de Alencar. Relata-nos o cônego Sadoc que entre os “alunos adiantados” de Gregório Francisco, destacava-se seu sobrinho, o jovem Tomás Pompeu de Sousa Brasil que chegara a Sobral a 23 de fevereiro de 1834, com 16 anos de idade, tendo estudado durante mais de dois anos com seu tio professor” (ARAÚJO: 2005, p.137). E conclui Sadoc: “Tomás Pompeu viajou depois para Olinda onde se fez sacerdote e advogado. Retornando ao Ceará, militou na política tornando-se, nacionalmente, famooso no tempo em que exercia mandato no Senado do Impérito. Senado Pompeu, quando estudava em Sobral, a 20 de julho de 1836, solicitou da Câmara atestado de pobreza e de boa conduta, no que foi atendido. Seu tio, o admirável professor Gregório Francisco, a quem Sobral muito deve, faleceu a 13 de abril de 1868 e foi sepultado na Matriz sobralense deixando viúva sua mulher Antônia Gregorina que, por sua vez, expirou a 12 de janeiro de 1887, com 92 anos de idade”. (ARAÚJO: 2005, p.137-138, grifos nossos)


Ainda em 1835, matriculou-se o Senador Pompeu no Seminário Diocesano. Em 1836, foi aprovada para Academia Jurídica, em Olinda, Pernambuco.Em 1837, em duas épocas, foi aprovado em Filosofia, Aritmética, Álegebra, Geometria, Francês, inglês. Em 1838, aprovado em em Gografia, História, Retórica e História Sagrada.Em 1839, era submetido, no Seminário Diocesano, a ato de Teologia Dogmática. Em 1840, o futuro sacerdote foi provido, em 21 de novembro, na Cadeira de Teologia do Seminário.Em 1840, o seminarista Pompeu de Sousa Brasil recebia as ordens de diácono, sendo aprovado em exame Sinodal pelo bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão, ordenando-se Sacerdote no dia de setembro de 1841, aos 23 anos, no Palácio da Solidade(Sede do Bispado.Em 2 de março de 1843, portanto, aos 25 anos, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.


O padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil é o personagem Padre Brasil, do romance Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva. Há uma passagem no romance em que faz referência ao senador: Quim, o Major Joaquim Damião, ao ler um bilhete, assinado por um “amigo da paz” (na verdade, era Guida), resolveu ir para Capital: “ Aí chegando, porém, em vez de consultar ao facultativo, foi pedir garantias para a sua vida ao Chefe da Polícia, e aconselhar-se com o Padre Brasil a respeito do desquite” (PAIVA: 1999, p.162)[xiii]


Leitor de Camões, em seu livro Compêndio de Geografia, adotado no País, traz como epígrafe: “Eu desta glória só fico contente/Que a minha terra amei e a minha gente”. Os versos, na íntegra, são assim: “Aos bons ingenhos. A vós só canto, espritos bem nascidos,/A vós, e às Musas ofereço a lira,/Ao Amor meus ais, e meus gemidos,/Compostos do seu fogo, e da sua ira,/Em vossos pleitos são, limpos ouvidos,/Caiam meus versos, quais me Febo inspira./Eu desta glória só fico contente,/Que a minha terra amei, e a minha gente”.


O Senador Pompeu tinha especial predileção pelo estudo da Geografia e escreveu um livro “ensaio Estístisco da Província do Ceará” (em 1859). Escreveu muitos trabalhos e livros, dos quais, citaria alguns: “Princípios Elementares de Geografia” (para uso do Liceu do Ceará, em 1850); “Compêndio de Geografia (1856); “Memória estatística da Província do Ceará, em dois volumes (1859) e “Compêndio de Geografia Geral e Especial do Brasil”, a maioria, oficialmente, adotada no Colégio Pedro II, nos Liceus e Seminários do Brasil.


Pioneirismo cultural de Pompeu
Instituiu, em 1845, aos 27 anos, o ensino secundário no Ceará, com a fundação do velho Liceu do Ceará, atendendo convite do presidente do Ceará, coronel Inácio Correia de Vasconcelos. Segundo Tomás Pompeu, o filho-biógrafo, “as cerimônias do magistério tinham para o seu espírito mais atrativos do que as cerimônias eclesiásticas” (MACEDO: 1980, P.54). O Liceu instituiu um ensino centralizado e de qualidade, permitindo ao seu responsável o controle da formação dos provincianos. Comentando sobre o valor do Liceu no século XIX, para o Ceará, o cônego Sadoc Araújo diz: “ Criado pela Lei 304, de 15 de julho de 1844, o Liceu do Ceará veio trazer novos rumos ao ensino de toda a Província, tornand0-se modelo para as demais escolas cearenses” (ARAÚJO: 2005, p.146). E acrescenta: “ O artigo 8º da Lei 501, de 14 de dezembro de 1849, detertiminava que não mais poderia ser criada qualquer escola na Província sem prévia licença do Presidente, ouvido o Diretor do Liceu. Este dispositivo se por um lado restringir a iniciativa particular, por outro lado, concorria para o aprimoramento do ensino, já que as permissões só eram das a professores devidamente examinados e aprovados nas matérias que pretendiam lecionar” (Ibidem).


Em 1845, foi inspetor-geral da Instrução, fazendo longa excursão pelo interior, visitando as escolas primárias, disseminadas nas diversas localidades da Província.


Há mais de 160 anos, Tomás Pompeu defendia a reforma da escolar popular, isto é, do sistema escolar dominante: criticava a escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculo, leitura e escrita, como ocorria (e ocorre) com as escolas primárias daquele tempo, longe, como diz Nertam Macedo (p.63), “ do ideal da verdadeira escola popular”. A grade curricular estabelecida, oficialmente, em 1844, definia as seguintes disciplinas: Filosofia Racional e Moral; Retórica e Poética; Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Geografia e História; Latim; Francês e Inglês. Apesar da quebra de uma formação exclusivamente literária da aulas clássicas de Latim, quando tomou o encargo de diretor de Instrução Pública, achou tal configuração curricular demasiadamente abstrata para nossa realidade e dizia, em relatório enviado ao Presidente da Província: “Cada povo deve aprender principalmente aquilo de que mais precisa para aumentar os cômodos da vida”[xiv]. (GIRÃO: 1977, p.12). Na proposição curricular de Pompeu, a nova configuração curricular era mais ou menos esta: Curso Religioso “ Católico”; Artes Liberais (Desenho e Música); Ciências Naturais: Física; Mecânica; Botânica, Agricultura; Geometria e Agrimensura. Na proposta de Pompeu, quebrava-se a formação exclusivamente voltada para as belas letras.


Com a ascensão dos conservadores à estrutura de poder, Pompeu foi exonerado da direção do Liceu, porque era do partido liberal. Com a subida dos liberais, voltou à direção do Liceu, e apresentou um relatório ao presidente da Província, no qual insiste em suas idéias reformistas
As idéias de Pompeu divulgadas há 160 anos, tem agora plena e oportuna atualidade: dizia ela, não há mais lugar para a escola tradicionalista, de métodos puramente memoralistas, e sim, de uma escola que eduque para o trabalho e para a vida


A escola ideal para Tomás Pompeu deveria, além de instruir, preparar o educando para as “aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia” (MACEDO: 1980, p.63)
Defendia a preparação profissional do mestre, o qual, a par de novos conhecimentos, deveria promover uma “escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o educando num homem do futuro – adestrado para viver e vencer no meio”.


Foi nomeado e diretor e lente da cadeira de Geografia e História no Liceu do Ceará, com que o distinguiu o governo da Província.
Aperfeiçoou-se nesse período em que foi diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução aos estudos da língua portuguesa e das línguas estrangeiras (Francês, Inglês) e clássica (Latim).
Habituado à leitura diária de Horácio, Virgílio, Tácito, Lucrécio, Juvenal, Ovídio, Camões, Milton, Bussuet, Lamartine, Vieira e outros clássicos


Leitor familiar de Cícero, Demóstenes, Fenelon e Vergniaud, mestres da eloqüência e dos modelos portentosos da dicção oratória.


Gostava da leitura silenciosa e devotado à paz do seu gabinete de trabalho.
Era um apaixonado pelos problemas da educação na sua Província.


Pioneirismo político de Pompeu
· Em 1845, foi eleito primeiro suplente de deputado geral, tendo tomado assento na Câmara Temporária, com o falecimento do deputado nato padre Costa Barros.
· No dia 9 de janeiro de 1864, aos 46 anos, foi nomeado por Pedro II senador imperial através de Carta Imperial
· Era Pompeu um admirador do sábio Agassiz


· Fundou em 16 de outubro de 1846, com o apoio do seu amigo sobralense Francisco de Paulo Pessoa, o jornal “ O Cearense”, órgão do Partido liberal. Do sobralense, o Senador Pompeu recebeu 100 contos de réis para comprar as máquinas necessárias à instalação e impressão do jornal[xv].


· Foi amigo íntimo de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, senador, jornalista, poeta e dos mais destacados chefes do Partido Liberal na Monarquia.


· Em 1877, quando o Ceará sofreu na carne com a grande seca, contando com retardo e limitações de auxílios e recursos para os flagelados, patrocinados pelo Partido Conservador, presidido pelo Barão de Cotegipe, Pompeu revoltou-se, escrevendo, em O Cearense, “libertem-se de um jugo ditatorial que nos mata...esqueçam-se do centro...proclamen s sua liberdade e autonomia”
· Era o Senador Pompeu legítimo político de José Martiniano de Alencar e do coronel Pessoa Anta, irmão do primeiro senador Paulo Pessoa. Segundo o jornalista Lustosa da Costa, o senador Paula Pessoa foi um dos responsáveis pela eleição de Pompeu à Câmara Alta do Império: “ Com ele – senador Pessoal -, a zona norte passa a exportar senador. Em 1846, ajuda a eleger Thomaz Pompeu, seu primo, nascido em Santa Quitéria, freguesia de Sobral, cuja carreira política financia” (COSTA: 2004, P.89)
[xvi].


· O senador Nogueira Acioly era seu genro.


· O Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que sofria de miopia, morreu no dia de 2 setembro de 1877, aos 59 anos, em Fortaleza, vítima de ataque cardíaco.

Perspectivas Acadêmicas – Caros confrades, ao ingressar neste Sodalício, espero contribuir com atividades de pesquisa, estudos e publicações que possam ainda mais engrandecer a nossa histórica Academia, entre essas atividades me disponho a trabalhar em:


1. Elaboração de documento como o de Discursos Acadêmicos de nossos titulares atuais da Academia. Os discursos acadêmicos constituem um dos aspectos mais relevantes da vida acadêmica. A idéia é a de que pesquisador ou estudante de Letras, História, Direito, enfim de qualquer dos Cursos das Ciências Humanas da UVA ou de qualquer outra IES, que desejar conhecer a vida e a obra de um acadêmico, encontre nos discursos de posse, nos de recepção, e no elogio do antecessor elementos preciosos para esse conhecimento. Em geral, os discursos acadêmicos trazem um traço comum: a elegância da frase, o estilo ameno, as citações eruditas, respingando às vezes algumas ironias e anedotas, mas sempre tendo em mente a importância da alocução para a história da Academia.

2. Elaboração da Série Biobibliografia dos Patronos da Academia Sobralense de Estudos e Letras, que, ao certo, no futuro bem próximo, constituirá uma relíquia bibliográfica.
3. Elaboração de Esboços e perfis dos antigos e atuais acadêmicos da ASEL. Será resultado da proposta de um ciclos de conferências,aberto à comunidade universitária, que consistirá em encontros acadêmicos, com os atuais acadêmicos, em que sejam destacadas as memórias da infância, adolescência e mocidade.

4. Reedição, edição crítica, inclusive com notas redigidas pelos acadêmicos, da História e interpretação de obras regionais, tendo como partida a obra Luzia-Homem, de Domingos Olímpio. Com este procedimento, acredito que a ASEL resgata uma dívida com a cultura local, estadual, regional, nacional, ao reeditar obras fora da circulação da indústria editorial. A idéia é a de que, no futuro, possam estas obras reeditas, em maior escala ou disponibilizada para acesso on-line (PDF, Internet), serem sugeridas para compor a lista de livros indicados para o vestibular da UVA. Obras como os contos de Dimas Carvalho, as crônicas de João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante e os textos de Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene e sua mãe, Demora podem ser as primeiras lembranças para indicação para lista futura do vestibular da UVA.
5. Proposição de transformar a história da Academia Sobralense de Letras como componente pedagógico ou tópico especial ou ainda prática de pesquisa, no curso de Letras da UVA,especialmente aos graduandos que vão atuar, na Mesorregião Noroeste do Estado, como professores de língua portuguesa e literatura, que terão, ao longo do curso de formação inicial, um caminho acadêmico para sistematizar, diacrônica e sincronicamente, a produção cultural da ASEL, desde o ano de 1943, ano de sua fundação jus-cartorial.


Obrigado, Sobral, cidade soberana, altaneira e impoluta.


[i] Vicente Martins é simplificação de Vicente de Paula da Silva Martins. Filho primogênito de Juarez Pereira Martins (militar, falecido) e Pedrina Maria da silva Martins (lavadeira, falecida). Nasceu no Sítio Aceno, em Iguatu, em 27 de dezembro de 1961. Fez o ensino fundamental e o ensino médio no Colégio Militar de Fortaleza. Graduou-se e pós-graduou-se em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE), em Fortaleza. Fez mestrado em educação pela Universidade Federal do Ceará. Desde 1994, é professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral.


[ii] Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008: Cad. nº 01 – José Sombra – Titular: Evaristo Linhares Lima; Cad.nº 02 – General Antônio Sampaio – Titular: José Ferreira Portella Netto; nº 03 – Eduardo da Rocha Salgado – Titular: Eduardo da Rocha Salgado; Cad. nº 04 – Adolfo Ferreira Caminha – Titular: Francisco Jerônimo Torres; Cad. nº 05 – Antônio Domingues Silva – Titular: Francisco Sampaio Sales; Cad. nº 06 – Antônio Rodrigues Junior – Titular: José Edvar Costa de Araújo; Cad. nº 07 – Tristão de Alencar Araripe – Titular: Ataliba Araújo Moura; Cad. nº 08 – José Cardoso de Moura Brasil – Titular: Raimundo Nonato Arcanjo; Cad. nº 09 – Monsenhor José Leorne Menescal – Titular: Almino Rocha Filho ; Cad. Nº 10 – Antônio Bezerra de Menezes – Titular: Pe. Jairo Linhares Pontes; Cad. Nº 11 – Júlio César da Fonseca Filho – Titular: Aloísio Ribeiro Ponte; Cad. nº 12 Manuel do Nascimento A. Linhares – Titular: Petrônio Augusto Pinheiro; Cad. 13 José Martiniano de Alencar – Titular: Maria Norma Maia Soares; Cad. Nº 14 – Justiniano de Serpa – Titular: Francisco de Assis Vasconcelos Arruda; Cad. Nº 15 – Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho – Titular: Cônego Francisco Sadoc de Araújo; Cad. Nº 16 – Padre João Augusto da Frota – Titular: José Edinardo Albuquerque Silveira; Cad. Nº 17 – Antônio Augusto de Vasconcelos – Titular: João Edison de Andrade; Cad. Nº 18 – Padre Antônio Tomaz – Titular: José Dimas de Carvalho Muniz; Cad. Nº 19 – Dom Jerônimo Tomé de Saboya e Silva – Titular: Vicente Abdias Fernandes; Cad. Nº 20 – Vicente Ferreira de Arruda – Titular: Ciro Ferreira Gomes; Cad. Nº 21 – General Antônio Tibúrcio Ferreira Junior – Titular: Rebeca Sales Viana; Cad. Nº 22 – José Julio de Albuquerque e Barros (Barão de Sobral) – Titular: Gabriel Assis Araújo Vasconcelos; Cad. Nº 23 – Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva – Titular: Francisco Antônio Tomaz Ribeiro Ramos; Cad. nº 24 – Padre Antônio Pereira Ibiapina – Titular: José Luis Araújo Lira; Cad. nº 25 – Vicente Cândido Figueira de Saboya – Titular: José Teodoro Soares; Cad. nº 26 - Tomaz Pompeu de Sousa Brasil – Título: Vicente de Paula da Silva Martins (Vicente Martins); Cad. nº 27 – Antônio Sales – Títular: Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene; Cad. nº 28 – Domingos Olímpio Braga Cavalcante – Titular: João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante; Cad. Nº 29 – João Marinho de Andrade – Titular: Gisela Nunes da Costa; Cad. nº 30 – Clóvis Beviláqua – Titular: Arnaud de Holanda Cavalcante; Cad. Nº 31 – Antônio Firmo Figueira de Saboya – Titular: Glória Giovana Saboya MontÁlverne; Cad. nº 32 – Guilherme Stuart (Barão de Studart) – Titular: Francisco Régis Frota Araújo; Cad. nº 33 – João Capistrano de Abreu – Titular: Edison Luis Rodrigues de Almeida; Cad. nº 34 – José Pedro Soares Bulcão – Título: Francisco José Soares; Cad. nº 35- Leonardo Mota – Titular: Hebert Vasconcelos Rocha; Cad. nº 36- Afrânio Peixoto – Titular: Raimundo Rodrigues Pinto; Cad. nº 37- Padre Valdivino Nogueira – Titular: Monsenhor Tibúrcio Gonçalves de Paula; Cad. nº 38-José Cordeiro de Andrade – Titular: Francisco Santamaría M. Parente; Cad. nº 39-José Lino da Justa – Titular: João Ambrósio de Araújo Filho e Cad. nº 40-José Lourenço Aguiar – Titular: Padre José Linhares Ponte.
[iii] NOVO TESTAMENTO. Tradução da Vulgata pelo Pe. Matos Soares. São Paulo: Paulinas, 1981.
[iv] Vicente Martins (Sobral, Curso de Letras, UVA) foi eleito, com candidatura única, para Academia Sobralense de Estudos e Letras, em 19 de agosto de 2008. Sua solenidade de Posse, na Cadeira de nº 26 na Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocorreu em 12 de setembro de 2008, no Auditório do Memorial do Ensino Superior de Sobral(MESS), em Sobral. O professor Vicente Martins é sucessor de Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho que, por sua vez, é sucessora João Pompeu de Sabóia Magalhães, cujo patrono é Tomaz Pompeu de Sousa Brasil. Tomaram também posse os acadêmicos Profª Rebeca Sales Viana e Manuel Valdeci de Vasconcelos. Os três acadêmicos são docentes da UVA. A ASEL é presidida pelo acadêmico João Edison de Andrade(UVA). Jus-estatutariamente, a Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi fundada em 7 de setembro de 1943, sucessora da Academia Sobralense de Letras, criada em 3 de maio de 1922 por um grupo de eminentes sobralenses, amantes das Letras, dentre os quais o juiz municipal e eloqüente orador dr. José Clodoveu de Arruda Coelho e mais os sócios a seguir: 1. Pe Leopoldo Pinheiro Fernandes; 2, Dr. Cláudio Nogueira; 3, Dr. Lauro Meneses. 4. Jornalista Craveiro Filho; 5. Pe. Fortunato Alves Linhares; 6. Prof. Paulo Aragão; 7. Dr. Benjamin Hortêncio; 8. Dr. Atualpa Barbosa de Lima; 9. Dr. Luiz Viana; 10. Dr. Ruy de Almeida Monte; 11. Antônio Oriano Mendes. Seu primeiro presidente foi o Pe.

[v] CAVALCANTE, Arnaud de Holanda. Sessão da Saudade em homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho. Sobral: ASEL, 2008. Segundo o acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, dona Leilah nasceu em 29 de julho de 1921, na pequena Guaipuba, distrito de Pacatuba(CE).Casada com Edmundo Monte Coelho. Do casal, nasceram 5 filhos: José Roberto, Maria Benvinda, Leilahzinha, Edmundo Filho e Francisco Augusto, 16 netos e 20 bisnetos, com os quais teve grandes momentos de júbilo e muitas alegrias.
[vi] CAVALCANTE, Arnaud de Holanda. Sessão da Saudade em homenagem póstuma à acadêmica Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho. Sobral: ASEL, 2008. O discurso proferido pelo acadêmico Arnaud de Holanda Cavalcante, representando a Academia Sobralense de Estudos e Letras-ASEL, foi realizado no dia 8 de julho de 2008, no Auditório do Memorial do Ensino Superior de Sobral (MESS), em Sobral, onde compareceram familiares da homenageada e o professor Vicente Martins, a convite do acadêmico José Luís Lira. [Série Discursos Acadêmicos]
[vii] MACEDO, Nertan. O Clã de Santa Quitéria: memória histórica sobre vaqueiros políticos e eruditos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renes, 1980. Autógrafo: “ Meu caro Vicente de Paula: É tudo quanto posso lhe mandar, atendendo sua cartinha. Espero que Você não desfaleça nos seus propósitos de se tornar um escritor. Mesmo neste País que pouca importância dá às coisas do espírito. Vá em frente e boa sorte! O abraço do Nertan Macedo. Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1982”.
[viii] FROTA, Dom José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª ed. Fortaleza: IOCE, 1995. Dom José faz referência, em seu monumental livro, ao Senador Padre Thomaz Pompeu descrito como “chefe do partido liberal do Ceará, cujo prestígio se irradiava por todo o Império e que, como Alencar recusara pasta de ministro, disse: “ A revolução do Equador, nas províncias do norte, em 1824, foi o resultado da dissolução da Constituinte; foi um protesto que os Carvalhos, de Pernambuco, os Alencares, do Ceará, e outros homens de influência levantaram contra aquele acto. As idéias republicanas desapareceram em 1831 com a “Abdicação” e em 1834 com o “Acto Adicional” (Sessão de 21 de fev. de 183” (p.331). Faz ainda referência a Thomas Pompeu sobre período de seca de 1790 a 1794,estudo levado a efeito pelo senador.(p.423).
[ix] Vale ressaltar que, em Pernambuco, no século XIX, a palavra patriota denotava defensor da revolução pernambucana de 1817 e ou da de 1824.
[x] ARAÚJO, Maria do Carmo R. A participação do Ceará na Confederação do Equador. In SOUZA, Simone de (org.). História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Stylus, 1989. P.139-148.
[xi] ARAÚJO, Padre Francisco Sadoc de Araújo. Origem da cultura sobralense. Sobral: UVA, 2005.
[xii] Segundo informações de Sadoc, a mãe do professor Gregório, a Sra. Isabel Pinto de Mesquita, era filha do sargento-mor João Pinto de Mesquita e de Teresa de Oliveira, e, também, sobrinha do capitão Antônio Rodrigues Magalhães, proprietário da Fazenda Caiçara, berço de Sobral (@005, p.134). O título sargento-mor, na história militar, refere-se, na hierarquia do Exército do Brasil colonial e imperial, praça graduado entre tenente-coronel e capitão.


[xiii] PAIVA, Oliveira. Dona Guidinha do poço: notas introdutórias e questionário de Sânzio de Azevedo. Fortaleza: ABC, 1999.


[xiv] Citado por Raimundo Girão. O senador Pompeu: 1877-1977. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1977.


[xv] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004. O jornalista diz nesses termos: “ Sabia onde investir seu dinheiro. Para manutenção do jornal de seu partido Cearense, entregou ao senador Tomaz Pompeu de Souza Brasil, sogro do comendador Nogueira Accioly, cen contos de réis, cuja renda reverteria em favor daquele órgão de Imprensa.” (p.87)


[xvi] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004.