domingo, 28 de setembro de 2008

IMORTALIDADE LITERÁRIA





José Luís Lira


A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer "que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro". Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.


Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.


Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que "As pessoas não morrem, ficam encantadas".


A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.


Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.


Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.


Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.


Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.


Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.


Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense. Vida longa aos novos imortais! José Luís Lira - Professor, escritor e advogado



Fonte webliográfica: LIRA, José Luis. Importalidade literária. Disponível em Internet: http://www.opovo.com.br/opovo/opiniao/822512.html . Fortaleza, Jornal O Povo, Opinião. Acessado em 27/09/2008

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

ASEL – Academia Sobralense de Estudos e Letras empossa mais três novos imortais




Numa assembléia literária de grande estilo e distinta nobreza, realizada a partir das 20h do dia 12 de setembro de 2008, no Salão Nobre do Memorial do Ensino Superior de Sobral / MESS, conduzida por seu presidente, Dr. João Édison de Andrade, a Academia Sobralense de Estudos e Letras – ASEL deu posse a três novas expressões da intelectualidade contemporânea do mundo do estudo das letras cearenses, recompondo, assim, os sólios acadêmicos deixados vagos por falecimento de membros daquele silogeu sobralense.
À tertúlia compareceram figuras de distinção especial do universo intelectual da cidade, convidados e familiares dos neo-acadêmicos.


A mesa dos trabalhos da sessão de posse esteve composta dos seguintes membros: Dr. João Édison de Andrade – Presidente; Professor Evaristo Linhares Lima – Ex-presidente e decano da Asel; Dr. José Luis Lira – representando o Magº Reitor da UVA, Dr. Antonio Colaço Martins; Profº José Ferreira Portella Netto, representando a vice-reitora da UVA, Drª Palmira Soares e a Srª Zilmar Viana Coelho, viúva do acadêmico José Ribamar Coelho.


Em sua fala inicial, o presidente cumprimentou os presentes à sessão, após o que, designou dois acadêmicos para, em cortejo, adentrarem os três neófitos ao recinto de posse. Ato continuo, o presidente passou a palavra ao acadêmico, professor, escritor e poeta Dimas Carvalho Muniz, a quem confiou o discurso de boas vindas aos novos acadêmicos.


Dimas Carvalho fez erudita preleção com incursões no mundo da literatura, desde os primórdios dos estudos do saber, até as pesquisas literárias mais atuais, terminando sua fala com bela saudação a seus novos pares, desincumbindo-se, assim, brilhantemente, da missão que lhe fora confiada.


Seguiu-se o ritual de posse. Cada acadêmico recebeu aos ombros a murça (indumentária acadêmica de cor vermelha) e ao peito o medalhão (símbolo da confraria).


E assim, tomou posse e assento na cadeira de Nº 3, que tem como patrono o médico cearense Dr. Eduardo da Rocha Salgado (in memoriam), membro da Academia Cearense de Letras, e que teve como último ocupante o saudoso acadêmico José Ribamar Coelho, o neo-acadêmico, professor Manoel Valdeci de Vasconcelos. A cadeira de Nº 21 patronada pelo memorável Professor Vicente Ferreira Arruda, e que teve como último ocupante o também saudoso Professor João Alves Teixeira, foi ocupada pela acadêmica Rebeca Sales Viana . Enquanto que a cadeira de nº 26, que tem como patrono o renomado Thomaz Pompeu de Souza Brasil, e que teve como última ocupante a inesquecível Professora Maria Leila Cabral de Araújo Coelho, foi preenchida pelo novo acadêmico Vicente de Paula da Silva Martins.


Perfis:Manoel Valdeci de Vasconcelos, foi eleito para a ASEL em 05 de junho de 2008 com 26 votos dos trinta votantes. Natural de Morrinhos-CE, então distrito de Santana do Acaraú. Veio estudar em Sobral nos anos 1950, onde fez estudos secundários. Concluiu o curso técnico de contabilidade na Escola Técnica de Comércio Dom José. Ingressou em seguida na primeira turma do curso de Letras da Faculdade de Filosofia Dom José, precursora da UVA, onde se formou. É especialista em Língua Portuguesa. Foi chefe da Previdência Social em Sobral durante 20 anos. Foi por três vezes presidente do Rotary Clube de Sobral. É, atualmente, acadêmico do Curso de Direito da UVA, secretário dos seus conselhos superiores e Chefe de Gabinete Adjunto do Reitor, Prof. Antonio Colaço Martins.


Rebeca Sales Viana, natural de Fortaleza-CE graduada em Odontologia pela UFC, especialista em Saúde Coletiva e Mestre em Gestão Pública. Docente concursada da Universidade Estadual Vale do Acaraú, desde 1994. Professora nos Curso de Enfermagem de Educação Física. É, atualmente, Pró-Reitora Adjunta da Pró-reitoria de Cultura da UVA. Foi eleita para a ASEL em 5 de junho de 2008, com 13 votos.


Vicente de Paula da Silva Martins, natural de Iguatu-CE. Graduado e pós-graduado em Letras pela UECE e Mestre em educação pela UFC com dedicação aos estudos e pesquisas em Lingüística, Metalingüística, (Dislexia, Disgrafia e Disortografia – legislação educacional). Mestre em Educação pela UFC. Docente da UVA no curso de Letras desde 1994. É professor dos cursos de Letras da UVA, em Sobral. Foi eleito pela ASEL em 19 de agosto de 2008. (Hercos).
Imortalidade literária
A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer “que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro”. Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.
Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.
Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.


Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.


Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.


Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.


Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.
Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense.Vida longa aos novos imortais!



domingo, 14 de setembro de 2008

Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008

Vicente Martins é imortal da
cadeira nº 26 da
Academia Sobralense de
Estudos e Letras

Os Patronos, com seus respectivos titulares, da ASEL, em 12 de setembro de 2008:
Cad. nº 01 – José Sombra – Titular: Evaristo Linhares Lima; Cad.nº 02 – General Antônio Sampaio – Titular: José Ferreira Portella Netto; nº 03 – Eduardo da Rocha Salgado – Titular: Eduardo da Rocha Salgado; Cad. nº 04 – Adolfo Ferreira Caminha – Titular: Francisco Jerônimo Torres; Cad. nº 05 – Antônio Domingues Silva – Titular: Francisco Sampaio Sales; Cad. nº 06 – Antônio Rodrigues Junior – Titular: José Edvar Costa de Araújo; Cad. nº 07 – Tristão de Alencar Araripe – Titular: Ataliba Araújo Moura; Cad. nº 08 – José Cardoso de Moura Brasil – Titular: Raimundo Nonato Arcanjo; Cad. nº 09 – Monsenhor José Leorne Menescal – Titular: Almino Rocha Filho ; Cad. Nº 10 – Antônio Bezerra de Menezes – Titular: Pe. Jairo Linhares Pontes; Cad. Nº 11 – Júlio César da Fonseca Filho – Titular: Aloísio Ribeiro Ponte; Cad. nº 12 Manuel do Nascimento A. Linhares – Titular: Petrônio Augusto Pinheiro; Cad. 13 José Martiniano de Alencar – Titular: Maria Norma Maia Soares; Cad. Nº 14 – Justiniano de Serpa – Titular: Francisco de Assis Vasconcelos Arruda; Cad. Nº 15 – Dom Lino Deodato Rodrigues de Carvalho – Titular: Cônego Francisco Sadoc de Araújo; Cad. Nº 16 – Padre João Augusto da Frota – Titular: José Edinardo Albuquerque Silveira; Cad. Nº 17 – Antônio Augusto de Vasconcelos – Titular: João Edison de Andrade; Cad. Nº 18 – Padre Antônio Tomaz – Titular: José Dimas de Carvalho Muniz; Cad. Nº 19 – Dom Jerônimo Tomé de Saboya e Silva – Titular: Vicente Abdias Fernandes; Cad. Nº 20 – Vicente Ferreira de Arruda – Titular: Ciro Ferreira Gomes; Cad. Nº 21 – General Antônio Tibúrcio Ferreira Junior – Titular: Rebeca Sales Viana; Cad. Nº 22 – José Julio de Albuquerque e Barros (Barão de Sobral) – Titular: Gabriel Assis Araújo Vasconcelos; Cad. Nº 23 – Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva – Titular: Francisco Antônio Tomaz Ribeiro Ramos; Cad. nº 24 – Padre Antônio Pereira Ibiapina – Titular: José Luis Araújo Lira; Cad. nº 25 – Vicente Cândido Figueira de Saboya – Titular: José Teodoro Soares; Cad. nº 26 - Tomaz Pompeu de Sousa Brasil – Título: Vicente de Paula da Silva Martins (Vicente Martins); Cad. nº 27 – Antônio Sales – Títular: Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene; Cad. nº 28 – Domingos Olímpio Braga Cavalcante – Titular: João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante; Cad. Nº 29 – João Marinho de Andrade – Titular: Gisela Nunes da Costa; Cad. nº 30 – Clóvis Beviláqua – Titular: Arnaud de Holanda Cavalcante; Cad. Nº 31 – Antônio Firmo Figueira de Saboya – Titular: Glória Giovana Saboya MontÁlverne; Cad. nº 32 – Guilherme Stuart (Barão de Studart) – Titular: Francisco Régis Frota Araújo; Cad. nº 33 – João Capistrano de Abreu – Titular: Edison Luis Rodrigues de Almeida; Cad. nº 34 – José Pedro Soares Bulcão – Título: Francisco José Soares; Cad. nº 35- Leonardo Mota – Titular: Hebert Vasconcelos Rocha; Cad. nº 36- Afrânio Peixoto – Titular: Raimundo Rodrigues Pinto; Cad. nº 37- Padre Valdivino Nogueira – Titular: Monsenhor Tibúrcio Gonçalves de Paula; Cad. nº 38-José Cordeiro de Andrade – Titular: Francisco Santamaría M. Parente; Cad. nº 39-José Lino da Justa – Titular: João Ambrósio de Araújo Filho e Cad. nº 40-José Lourenço Aguiar – Titular: Padre José Linhares Ponte.
Vicente Martins (Sobral, Curso de Letras, UVA) foi eleito, com candidatura única, para Academia Sobralense de Estudos e Letras, em 19 de agosto de 2008. Sua solenidade de Posse, na Cadeira de nº 26 na Academia Sobralense de Estudos e Letras, ocorreu em 12 de setembro de 2008, no Auditório do Memorial do Ensino Superior de Sobral(MESS), em Sobral. O professor Vicente Martins é sucessor de Maria Leilah Cabral de Araújo Coelho que, por sua vez, é sucessora João Pompeu de Sabóia Magalhães, cujo patrono é Tomaz Pompeu de Sousa Brasil. Tomaram também posse os acadêmicos Profª Rebeca Sales Viana e Manuel Valdeci de Vasconcelos. Os três acadêmicos são docentes da UVA. A ASEL é presidida pelo acadêmico João Edison de Andrade(UVA). Jus-estatutariamente, a Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi fundada em 7 de setembro de 1943, sucessora da Academia Sobralense de Letras, criada em 3 de maio de 1922 por um grupo de eminentes sobralenses, amantes das Letras, dentre os quais o juiz municipal e eloqüente orador dr. José Clodoveu de Arruda Coelho e mais os sócios a seguir: 1. Pe Leopoldo Pinheiro Fernandes; 2, Dr. Cláudio Nogueira; 3, Dr. Lauro Meneses. 4. Jornalista Craveiro Filho; 5. Pe. Fortunato Alves Linhares; 6. Prof. Paulo Aragão; 7. Dr. Benjamin Hortêncio; 8. Dr. Atualpa Barbosa de Lima; 9. Dr. Luiz Viana; 10. Dr. Ruy de Almeida Monte; 11. Antônio Oriano Mendes.

O NOVO TITULAR DA CADEIRA Nº 26 DA ACADEMIA SOBRALENSE DE LETRAS

Vicente Martins e seus familiares:
Mariana(filha), Luciene(esposa) e
Atília (filha)

Vicente Martins é simplificação de Vicente de Paula da Silva Martins.
Filho primogênito de Juarez Pereira Martins (militar, falecido) e Pedrina Maria da silva Martins (lavadeira, falecida). Nasceu no Sítio Aceno, em Iguatu, em 27 de dezembro de 1961. Fez o ensino fundamental e o ensino médio no Colégio Militar de Fortaleza.

Graduou-se e pós-graduou-se em Letras pela Universidade Estadual do Ceará(UECE), em Fortaleza. Fez mestrado em educação pela Universidade Federal do Ceará.

Desde 1994, é professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral.

DISPOSIÇÃO DE VICENTE MARTINS COMO IMORTAL DA ASEL, EM SOBRAL DE DOM JOSÉ



Vicente Martins, como imortal da Academia Sobralense de Estudos e Letras, fala aos presentes no dia de sua posse, 12 de setembro de 2008, em Sobral.

Perspectivas Acadêmicas – Caros confrades, ao ingressar neste Sodalício, espero contribuir com atividades de pesquisa, estudos e publicações que possam ainda mais engrandecer a nossa histórica Academia, entre essas atividades me disponho a trabalhar em:


1. Elaboração de documento como o de Discursos Acadêmicos de nossos titulares atuais da Academia. Os discursos acadêmicos constituem um dos aspectos mais relevantes da vida acadêmica. A idéia é a de que pesquisador ou estudante de Letras, História, Direito, enfim de qualquer dos Cursos das Ciências Humanas da UVA ou de qualquer outra IES, que desejar conhecer a vida e a obra de um acadêmico, encontre nos discursos de posse, nos de recepção, e no elogio do antecessor elementos preciosos para esse conhecimento. Em geral, os discursos acadêmicos trazem um traço comum: a elegância da frase, o estilo ameno, as citações eruditas, respingando às vezes algumas ironias e anedotas, mas sempre tendo em mente a importância da alocução para a história da Academia.

2. Elaboração da Série Biobibliografia dos Patronos da Academia Sobralense de Estudos e Letras, que, ao certo, no futuro bem próximo, constituirá uma relíquia bibliográfica.
3. Elaboração de Esboços e perfis dos antigos e atuais acadêmicos da ASEL. Será resultado da proposta de um ciclos de conferências,aberto à comunidade universitária, que consistirá em encontros acadêmicos, com os atuais acadêmicos, em que sejam destacadas as memórias da infância, adolescência e mocidade.

4. Reedição, edição crítica, inclusive com notas redigidas pelos acadêmicos, da História e interpretação de obras regionais, tendo como partida a obra Luzia-Homem, de Domingos Olímpio. Com este procedimento, acredito que a ASEL resgata uma dívida com a cultura local, estadual, regional, nacional, ao reeditar obras fora da circulação da indústria editorial. A idéia é a de que, no futuro, possam estas obras reeditas, em maior escala ou disponibilizada para acesso on-line (PDF, Internet), serem sugeridas para compor a lista de livros indicados para o vestibular da UVA. Obras como os contos de Dimas Carvalho, as crônicas de João Barbosa de Paulo Pessoa Cavalcante e os textos de Tereza Maria Ribeiro Ramos Fontelene e sua mãe, Demora podem ser as primeiras lembranças para indicação para lista futura do vestibular da UVA.

5. Proposição de transformar a história da Academia Sobralense de Letras como componente pedagógico ou tópico especial ou ainda prática de pesquisa, no curso de Letras da UVA,especialmente aos graduandos que vão atuar, na Mesorregião Noroeste do Estado, como professores de língua portuguesa e literatura, que terão, ao longo do curso de formação inicial, um caminho acadêmico para sistematizar, diacrônica e sincronicamente, a produção cultural da ASEL, desde o ano de 1943, ano de sua fundação jus-cartorial.
Obrigado, Sobral, cidade soberana, altaneira e impoluta.

DISCURSO DE VICENTE MARTINS DESTACA SEU PATRONO NA CADEIRA Nº 26, DA ASEL: O SENADOR PADRE POMPEU

Imortais da Academia Sobralense de Letras


A primeira vez que soube de Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, patrono da cadeira nº 26, agora, ocupada por mim, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi através do escritor cearense Nertan Macedo.
Em 1982, ainda aluno do ensino médio do Colégio Militar de Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, Aldeota, onde fiz toda minha educação básica (ensino fundamental e ensino médio), recebi uma Revista Academia Cearense de Letras, oferta do meu professor de língua portuguesa e literatura acadêmico Pedro Paulo Montengro, hoje, ainda um grande amigo. No apêndice da revista, havia os endereços, para correspondência com os imortais. Foi assim que entrei em contato com escritores como Eduardo Campos e Nertan Macedo.
Do escritor e dramaturgo Eduardo Campos, no encontro pessoal com o mesmo na Secretaria de Cultura, no governo de Gonzaga Mota, solicitei livros e um emprego. Presenteou-me com livros de sua autoria e, quanto ao emprego, disse-me, assim, resumidamente: rapaz, peça emprego a político não, faça todos os concursos que aparecerem, não é tempo de depor as luvas. Senti-me envergonhado e nunca mais bati a porta de político, grande ou pequeno, para pedir emprego.
E até hoje não consegui uma emprego sem que não fosse pelo caminho do concurso público ou da seleção pública, sempre exigindo, de mim, dedicação aos estudos na área de minha atuação profissional, a de Letras. De Nertan Macedo, recebi, autografado, pelos correios, o livro o Clã de Santa Quitéria[i], prefaciado por Marcelo Pinto.

O livro trata de uma quinta família, os Pinto de Mesquita, das ribeiras do Acaracu, hoje, por força da eufonia, denominado Acaraú. O Capítulo VI, da referida obra, sob o título “O senador Tomás Pompeu, um pioneiro”, é dedicado ao herdeiro dos Pinto de Mesquita, considerado por Nertan Macedo, um pioneiro no campo de atuação política, clerical, jornalística, cultural e educacional.
Durante quase uma década, mantive regular correspondência ou, por algum tempo, apenas postais por ocasião do final de ano (Natal e Boas Festas) com o escritor Nertan Macedo. Pude apurar em minha hemoroteca particular, que Logo depois de ter servido como assessor de imprensa do primeiro governo de Virgílio Távora, Nertan Macedo foi ser assessor de imprensa da presidência da Confenderação Nacional da Indústria, na administração do engenheiro Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto. Herdaram seu nome completo: o filho, um sobrinho e um neto.

No meu breve discurso sobre meu patrono Thomás Pompeu de Sousa Brasil, jurisconsulto, sábio, escritor, estadista, levita, industrioso, paciente, inteligente, tenaz,severo, sóbrio, orador fluente e consumado, conselheiro,austero,nobre,simpático,ilustrado,assíduo, abnegado, desinteressado, homem de olhar arguto, enfim, um senador contumaz e convincente, qualificações que pude extrair dos estudos sobre Pompeu, ao longo dos dias de preparação do meu discurso de posse, e, por isso, por favor, permitam-me limitar minha fala à sua atuação como professor, educador, diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução na província cearense, e, mesmo assim, senhoras e senhores e estudantes, não darei conta, tamanha e extraordinária é a extensão e dimensão da atuação cultural de Tomás Pompeu.
Do padre e do político, isto é, do senador padre imperial[ii], apenas pinçarei, agora, alguns casos ou traços pitorescos, anedóticos e interessantes de Tomas Pompeu, descritos, segundo Hugo Catunda, secundado por Nertan Macedo, provavelmente por seu filho, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, membro da Academia Cearense de Letras, que nos permite hoje, passados tantos, avaliar melhor seu esboço biográfico, publicado no jornal “ A República”, em 3 de setembro de 1909, “alguns subsídios sobre a vida e a atuação do Senador Pompeu” (MACEDO: 1980, p.51):
O senador padre Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.Nasceu na cidade de Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Em junho passado, comemoraram-se, portanto, 190 anos de aniversário de nascimento de Tomás Pompeu.

O sobrenome Brasil dado, no início do século XIX, pelo pai, um liberal “patriota”[iii], segundo Abelardo Montenegro, era o costume de usar nomes nacionais a fim de apor ou substituir os nomes menos nativos. As famílias passaram a usar nome nacionalista que expressava algo pecular à terra brasileira.

Filho de Tomás d’Aquino Sousa e dona Geracina Isabel de Sousa.Observamos que o senador Pompeu herdou seu nome Tomás do pai(no caso deste, seguido de Aquino e Sousa), que era primo do Padre Mororó, figura central e mártir da Revolução de 1824.
O pai do senador Pompeu compactuava com a Revolução de 1824, assinando, inclusive, a ata do Conselho de Revolução de 1824, e, por sua opção ideológica, sofreu perguições que o levaram à penúria de sofrimentos e haveres. A esse respeito,há interessante artigo de Maria do Carmo R. Araújo, professora do Curso de História da UFC[iv].

O senador Pompeu fez seu curso primário em Santa Quitéria, tendo por mestre seu próprio pai, Capitão Tomás Aquino de Sousa, “homem suficientemente instruído, pois abandonora o Seminário de Olinda quando já cursava o primeiro ano de Teologia”.

O pai Tomás d’Aquino Sousa o destinou para a carreira do Sacerdódico, tendo matriculado Tomás Pompeu, , na Aula Régia de Latim de Sobral, regida pelo seu materno, advogado Gregório Francisco Torres de Vasconcelos. No capítulo “Os passos da educação”, em seu prestimoso livro Origem da Cultura Sobralense, padre Francisco Sadoc de Araújo (2005)[v]fala da caráter do professor Gregório,nascido em 17 de novembro de 1785, na Fazenda Flores, sertão de Santa Quitéria, filho primogênito do matrimônio de Gregório José Torres e Vasconcelos e de Isabel Pinto de Mesquita[vi].
Gregório era titular de aula de Gramática Latina da vila sobralense, oficialmente em 26 de junho de 1825 (p.133). Sadoc refere-se ao professor Gregório Francisco como um “homem íntegro e de muito caráter” corajoso e reagia, como autêntico liberal, os atos de prepotência do presidente da Província José Martiniano de Alencar. Relata-nos o cônego Sadoc que entre os “alunos adiantados” de Gregório Francisco, destacava-se seu sobrinho, o jovem Tomás Pompeu de Sousa Brasil que chegara a Sobral a 23 de fevereiro de 1834, com 16 anos de idade, tendo estudado durante mais de dois anos com seu tio professor” (ARAÚJO: 2005, p.137).
E conclui Sadoc: “Tomás Pompeu viajou depois para Olinda onde se fez sacerdote e advogado. Retornando ao Ceará, militou na política tornando-se, nacionalmente, famooso no tempo em que exercia mandato no Senado do Impérito. Senado Pompeu, quando estudava em Sobral, a 20 de julho de 1836, solicitou da Câmara atestado de pobreza e de boa conduta, no que foi atendido. Seu tio, o admirável professor Gregório Francisco, a quem Sobral muito deve, faleceu a 13 de abril de 1868 e foi sepultado na Matriz sobralense deixando viúva sua mulher Antônia Gregorina que, por sua vez, expirou a 12 de janeiro de 1887, com 92 anos de idade”. (ARAÚJO: 2005, p.137-138, grifos nossos)

Ainda em 1835, matriculou-se o Senador Pompeu no Seminário Diocesano. Em 1836, foi aprovada para Academia Jurídica, em Olinda, Pernambuco.Em 1837, em duas épocas, foi aprovado em Filosofia, Aritmética, Álegebra, Geometria, Francês, inglês. Em 1838, aprovado em em Gografia, História, Retórica e História Sagrada.
Em 1839, era submetido, no Seminário Diocesano, a ato de Teologia Dogmática. Em 1840, o futuro sacerdote foi provido, em 21 de novembro, na Cadeira de Teologia do Seminário.Em 1840, o seminarista Pompeu de Sousa Brasil recebia as ordens de diácono, sendo aprovado em exame Sinodal pelo bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão, ordenando-se Sacerdote no dia de setembro de 1841, aos 23 anos, no Palácio da Solidade(Sede do Bispado.Em 2 de março de 1843, portanto, aos 25 anos, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
O padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil é o personagem Padre Brasil, do romance Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva. Há uma passagem no romance em que faz referência ao senador: Quim, o Major Joaquim Damião, ao ler um bilhete, assinado por um “amigo da paz” (na verdade, era Guida), resolveu ir para Capital: “ Aí chegando, porém, em vez de consultar ao facultativo, foi pedir garantias para a sua vida ao Chefe da Polícia, e aconselhar-se com o Padre Brasil a respeito do desquite” (PAIVA: 1999, p.162)
[vii] Leitor de Camões, em seu livro Compêndio de Geografia, adotado no País, traz como epígrafe: “Eu desta glória só fico contente/Que a minha terra amei e a minha gente”. Os versos, na íntegra, são assim: “Aos bons ingenhos. A vós só canto, espritos bem nascidos,/A vós, e às Musas ofereço a lira,/Ao Amor meus ais, e meus gemidos,/Compostos do seu fogo, e da sua ira,/Em vossos pleitos são, limpos ouvidos,/Caiam meus versos, quais me Febo inspira./Eu desta glória só fico contente,/Que a minha terra amei, e a minha gente”.

O Senador Pompeu tinha especial predileção pelo estudo da Geografia e escreveu um livro “ensaio Estístisco da Província do Ceará” (em 1859). Escreveu muitos trabalhos e livros, dos quais, citaria alguns: “Princípios Elementares de Geografia” (para uso do Liceu do Ceará, em 1850); “Compêndio de Geografia (1856); “Memória estatística da Província do Ceará, em dois volumes (1859) e “Compêndio de Geografia Geral e Especial do Brasil”, a maioria, oficialmente, adotada no Colégio Pedro II, nos Liceus e Seminários do Brasil.

Pioneirismo cultural de Pompeu

Instituiu, em 1845, aos 27 anos, o ensino secundário no Ceará, com a fundação do velho Liceu do Ceará, atendendo convite do presidente do Ceará, coronel Inácio Correia de Vasconcelos. Segundo Tomás Pompeu, o filho-biógrafo, “as cerimônias do magistério tinham para o seu espírito mais atrativos do que as cerimônias eclesiásticas” (MACEDO: 1980, P.54).
O Liceu instituiu um ensino centralizado e de qualidade, permitindo ao seu responsável o controle da formação dos provincianos. Comentando sobre o valor do Liceu no século XIX, para o Ceará, o cônego Sadoc Araújo diz: “ Criado pela Lei 304, de 15 de julho de 1844, o Liceu do Ceará veio trazer novos rumos ao ensino de toda a Província, tornand0-se modelo para as demais escolas cearenses” (ARAÚJO: 2005, p.146).
E acrescenta: “ O artigo 8º da Lei 501, de 14 de dezembro de 1849, detertiminava que não mais poderia ser criada qualquer escola na Província sem prévia licença do Presidente, ouvido o Diretor do Liceu. Este dispositivo se por um lado restringir a iniciativa particular, por outro lado, concorria para o aprimoramento do ensino, já que as permissões só eram das a professores devidamente examinados e aprovados nas matérias que pretendiam lecionar” (Ibidem).

Em 1845, foi inspetor-geral da Instrução, fazendo longa excursão pelo interior, visitando as escolas primárias, disseminadas nas diversas localidades da Província.
Há mais de 160 anos, Tomás Pompeu defendia a reforma da escolar popular, isto é, do sistema escolar dominante: criticava a escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculo, leitura e escrita, como ocorria (e ocorre) com as escolas primárias daquele tempo, longe, como diz Nertam Macedo (p.63), “ do ideal da verdadeira escola popular”. A grade curricular estabelecida, oficialmente, em 1844, definia as seguintes disciplinas: Filosofia Racional e Moral; Retórica e Poética; Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Geografia e História; Latim; Francês e Inglês. Apesar da quebra de uma formação exclusivamente literária da aulas clássicas de Latim, quando tomou o encargo de diretor de Instrução Pública, achou tal configuração curricular demasiadamente abstrata para nossa realidade e dizia, em relatório enviado ao Presidente da Província: “Cada povo deve aprender principalmente aquilo de que mais precisa para aumentar os cômodos da vida”[viii]. (GIRÃO: 1977, p.12).
Na proposição curricular de Pompeu, a nova configuração curricular era mais ou menos esta: Curso Religioso “ Católico”; Artes Liberais (Desenho e Música); Ciências Naturais: Física; Mecânica; Botânica, Agricultura; Geometria e Agrimensura. Na proposta de Pompeu, quebrava-se a formação exclusivamente voltada para as belas letras.
Com a ascensão dos conservadores à estrutura de poder, Pompeu foi exonerado da direção do Liceu, porque era do partido liberal. Com a subida dos liberais, voltou à direção do Liceu, e apresentou um relatório ao presidente da Província, no qual insiste em suas idéias reformistas
As idéias de Pompeu divulgadas há 160 anos, tem agora plena e oportuna atualidade: dizia ela, não há mais lugar para a escola tradicionalista, de métodos puramente memoralistas, e sim, de uma escola que eduque para o trabalho e para a vida

A escola ideal para Tomás Pompeu deveria, além de instruir, preparar o educando para as “aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia” (MACEDO: 1980, p.63)

Defendia a preparação profissional do mestre, o qual, a par de novos conhecimentos, deveria promover uma “escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o educando num homem do futuro – adestrado para viver e vencer no meio”.

Foi nomeado e diretor e lente da cadeira de Geografia e História no Liceu do Ceará, com que o distinguiu o governo da Província.
Aperfeiçoou-se nesse período em que foi diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução aos estudos da língua portuguesa e das línguas estrangeiras (Francês, Inglês) e clássica (Latim).

Habituado à leitura diária de Horácio, Virgílio, Tácito, Lucrécio, Juvenal, Ovídio, Camões, Milton, Bussuet, Lamartine, Vieira e outros clássicos
Leitor familiar de Cícero, Demóstenes, Fenelon e Vergniaud, mestres da eloqüência e dos modelos portentosos da dicção oratória.
Gostava da leitura silenciosa e devotado à paz do seu gabinete de trabalho.
Era um apaixonado pelos problemas da educação na sua Província.
Pioneirismo político de Pompeu

· Em 1845, foi eleito primeiro suplente de deputado geral, tendo tomado assento na Câmara Temporária, com o falecimento do deputado nato padre Costa Barros.

· No dia 9 de janeiro de 1864, aos 46 anos, foi nomeado por Pedro II senador imperial através de Carta Imperial

· Era Pompeu um admirador do sábio Agassiz

· Fundou em 16 de outubro de 1846, com o apoio do seu amigo sobralense Francisco de Paulo Pessoa, o jornal “ O Cearense”, órgão do Partido liberal. Do sobralense, o Senador Pompeu recebeu 100 contos de réis para comprar as máquinas necessárias à instalação e impressão do jornal[ix].
· Foi amigo íntimo de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, senador, jornalista, poeta e dos mais destacados chefes do Partido Liberal na Monarquia.

· Em 1877, quando o Ceará sofreu na carne com a grande seca, contando com retardo e limitações de auxílios e recursos para os flagelados, patrocinados pelo Partido Conservador, presidido pelo Barão de Cotegipe, Pompeu revoltou-se, escrevendo, em O Cearense, “libertem-se de um jugo ditatorial que nos mata...esqueçam-se do centro...proclamen s sua liberdade e autonomia”


· Era o Senador Pompeu legítimo político de José Martiniano de Alencar e do coronel Pessoa Anta, irmão do primeiro senador Paulo Pessoa. Segundo o jornalista Lustosa da Costa, o senador Paula Pessoa foi um dos responsáveis pela eleição de Pompeu à Câmara Alta do Império: “ Com ele – senador Pessoal -, a zona norte passa a exportar senador. Em 1846, ajuda a eleger Thomaz Pompeu, seu primo, nascido em Santa Quitéria, freguesia de Sobral, cuja carreira política financia” (COSTA: 2004, P.89)
[x]. · O senador Nogueira Acioly era seu genro.

· O Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que sofria de miopia, morreu no dia de 2 setembro de 1877, aos 59 anos, em Fortaleza, vítima de ataque cardíaco.

[i] MACEDO, Nertan. O Clã de Santa Quitéria: memória histórica sobre vaqueiros políticos e eruditos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renes, 1980. Autógrafo: “ Meu caro Vicente de Paula: É tudo quanto posso lhe mandar, atendendo sua cartinha. Espero que Você não desfaleça nos seus propósitos de se tornar um escritor. Mesmo neste País que pouca importância dá às coisas do espírito. Vá em frente e boa sorte! O abraço do Nertan Macedo. Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1982”.

[ii] FROTA, Dom José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª ed. Fortaleza: IOCE, 1995. Dom José faz referência, em seu monumental livro, ao Senador Padre Thomaz Pompeu descrito como “chefe do partido liberal do Ceará, cujo prestígio se irradiava por todo o Império e que, como Alencar recusara pasta de ministro, disse: “ A revolução do Equador, nas províncias do norte, em 1824, foi o resultado da dissolução da Constituinte; foi um protesto que os Carvalhos, de Pernambuco, os Alencares, do Ceará, e outros homens de influência levantaram contra aquele acto. As idéias republicanas desapareceram em 1831 com a “Abdicação” e em 1834 com o “Acto Adicional” (Sessão de 21 de fev. de 183” (p.331). Faz ainda referência a Thomas Pompeu sobre período de seca de 1790 a 1794,estudo levado a efeito pelo senador.(p.423).

[iii] Vale ressaltar que, em Pernambuco, no século XIX, a palavra patriota denotava defensor da revolução pernambucana de 1817 e ou da de 1824.

[iv] ARAÚJO, Maria do Carmo R. A participação do Ceará na Confederação do Equador. In SOUZA, Simone de (org.). História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Stylus, 1989. P.139-148.

[v] ARAÚJO, Padre Francisco Sadoc de Araújo. Origem da cultura sobralense. Sobral: UVA, 2005.

[vi] Segundo informações de Sadoc, a mãe do professor Gregório, a Sra. Isabel Pinto de Mesquita, era filha do sargento-mor João Pinto de Mesquita e de Teresa de Oliveira, e, também, sobrinha do capitão Antônio Rodrigues Magalhães, proprietário da Fazenda Caiçara, berço de Sobral (@005, p.134). O título sargento-mor, na história militar, refere-se, na hierarquia do Exército do Brasil colonial e imperial, praça graduado entre tenente-coronel e capitão.

[vii] PAIVA, Oliveira. Dona Guidinha do poço: notas introdutórias e questionário de Sânzio de Azevedo. Fortaleza: ABC, 1999.
[viii] Citado por Raimundo Girão. O senador Pompeu: 1877-1977. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1977.

[ix] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004. O jornalista diz nesses termos: “ Sabia onde investir seu dinheiro. Para manutenção do jornal de seu partido Cearense, entregou ao senador Tomaz Pompeu de Souza Brasil, sogro do comendador Nogueira Accioly, cen contos de réis, cuja renda reverteria em favor daquele órgão de Imprensa.” (p.87)

[x] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004.

Um pouco sobre o patrono senador e padre Tomaz Pompeu de Sousa Brasil



Atília Martins, filha de Vicente Martins, ao lado do
presidente da ASEL, acadêmico Edison de Abdrade

Patrono – A primeira vez que soube de Tomaz Pompeu de Sousa Brasil, patrono da cadeira nº 26, agora, ocupada por mim, na Academia Sobralense de Estudos e Letras, foi através do escritor cearense Nertan Macedo. Em 1982, ainda aluno do ensino médio do Colégio Militar de Fortaleza, na Avenida Santos Dumont, Aldeota, onde fiz toda minha educação básica (ensino fundamental e ensino médio), recebi uma Revista Academia Cearense de Letras, oferta do meu professor de língua portuguesa e literatura acadêmico Pedro Paulo Montengro, hoje, ainda um grande amigo. No apêndice da revista, havia os endereços, para correspondência com os imortais. Foi assim que entrei em contato com escritores como Eduardo Campos e Nertan Macedo. Do escritor e dramaturgo Eduardo Campos, no encontro pessoal com o mesmo na Secretaria de Cultura, no governo de Gonzaga Mota, solicitei livros e um emprego. Presenteou-me com livros de sua autoria e, quanto ao emprego, disse-me, assim, resumidamente: rapaz, peça emprego a político não, faça todos os concursos que aparecerem, não é tempo de depor as luvas. Senti-me envergonhado e nunca mais bati a porta de político, grande ou pequeno, para pedir emprego. E até hoje não consegui uma emprego sem que não fosse pelo caminho do concurso público ou da seleção pública, sempre exigindo, de mim, dedicação aos estudos na área de minha atuação profissional, a de Letras. De Nertan Macedo, recebi, autografado, pelos correios, o livro o Clã de Santa Quitéria[i], prefaciado por Marcelo Pinto.
O livro trata de uma quinta família, os Pinto de Mesquita, das ribeiras do Acaracu, hoje, por força da eufonia, denominado Acaraú. O Capítulo VI, da referida obra, sob o título “O senador Tomás Pompeu, um pioneiro”, é dedicado ao herdeiro dos Pinto de Mesquita, considerado por Nertan Macedo, um pioneiro no campo de atuação política, clerical, jornalística, cultural e educacional. Durante quase uma década, mantive regular correspondência ou, por algum tempo, apenas postais por ocasião do final de ano (Natal e Boas Festas) com o escritor Nertan Macedo. Pude apurar em minha hemoroteca particular, que Logo depois de ter servido como assessor de imprensa do primeiro governo de Virgílio Távora, Nertan Macedo foi ser assessor de imprensa da presidência da Confenderação Nacional da Indústria, na administração do engenheiro Thomás Pompeu de Sousa Brasil Neto. Herdaram seu nome completo: o filho, um sobrinho e um neto.
No meu breve discurso sobre meu patrono Thomás Pompeu de Sousa Brasil, jurisconsulto, sábio, escritor, estadista, levita, industrioso, paciente, inteligente, tenaz,severo, sóbrio, orador fluente e consumado, conselheiro,austero,nobre,simpático,ilustrado,assíduo, abnegado, desinteressado, homem de olhar arguto, enfim, um senador contumaz e convincente, qualificações que pude extrair dos estudos sobre Pompeu, ao longo dos dias de preparação do meu discurso de posse, e, por isso, por favor, permitam-me limitar minha fala à sua atuação como professor, educador, diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução na província cearense, e, mesmo assim, senhoras e senhores e estudantes, não darei conta, tamanha e extraordinária é a extensão e dimensão da atuação cultural de Tomás Pompeu. Do padre e do político, isto é, do senador padre imperial
[ii], apenas pinçarei, agora, alguns casos ou traços pitorescos, anedóticos e interessantes de Tomas Pompeu, descritos, segundo Hugo Catunda, secundado por Nertan Macedo, provavelmente por seu filho, Tomás Pompeu de Sousa Brasil, membro da Academia Cearense de Letras, que nos permite hoje, passados tantos, avaliar melhor seu esboço biográfico, publicado no jornal “ A República”, em 3 de setembro de 1909, “alguns subsídios sobre a vida e a atuação do Senador Pompeu” (MACEDO: 1980, p.51):
O senador padre Thomaz Pompeu de Sousa Brasil.Nasceu na cidade de Santa Quitéria, em 6 de junho de 1818. Em junho passado, comemoraram-se, portanto, 190 anos de aniversário de nascimento de Tomás Pompeu.
O sobrenome Brasil dado, no início do século XIX, pelo pai, um liberal “patriota”
[iii], segundo Abelardo Montenegro, era o costume de usar nomes nacionais a fim de apor ou substituir os nomes menos nativos. As famílias passaram a usar nome nacionalista que expressava algo pecular à terra brasileira.
Filho de Tomás d’Aquino Sousa e dona Geracina Isabel de Sousa.Observamos que o senador Pompeu herdou seu nome Tomás do pai(no caso deste, seguido de Aquino e Sousa), que era primo do Padre Mororó, figura central e mártir da Revolução de 1824. O pai do senador Pompeu compactuava com a Revolução de 1824, assinando, inclusive, a ata do Conselho de Revolução de 1824, e, por sua opção ideológica, sofreu perguições que o levaram à penúria de sofrimentos e haveres. A esse respeito,há interessante artigo de Maria do Carmo R. Araújo, professora do Curso de História da UFC
[iv].
O senador Pompeu fez seu curso primário em Santa Quitéria, tendo por mestre seu próprio pai, Capitão Tomás Aquino de Sousa, “homem suficientemente instruído, pois abandonora o Seminário de Olinda quando já cursava o primeiro ano de Teologia”.
O pai Tomás d’Aquino Sousa o destinou para a carreira do Sacerdódico, tendo matriculado Tomás Pompeu, , na Aula Régia de Latim de Sobral, regida pelo seu materno, advogado Gregório Francisco Torres de Vasconcelos. No capítulo “Os passos da educação”, em seu prestimoso livro Origem da Cultura Sobralense, padre Francisco Sadoc de Araújo (2005)
[v]fala da caráter do professor Gregório,nascido em 17 de novembro de 1785, na Fazenda Flores, sertão de Santa Quitéria, filho primogênito do matrimônio de Gregório José Torres e Vasconcelos e de Isabel Pinto de Mesquita[vi]. Gregório era titular de aula de Gramática Latina da vila sobralense, oficialmente em 26 de junho de 1825 (p.133). Sadoc refere-se ao professor Gregório Francisco como um “homem íntegro e de muito caráter” corajoso e reagia, como autêntico liberal, os atos de prepotência do presidente da Província José Martiniano de Alencar. Relata-nos o cônego Sadoc que entre os “alunos adiantados” de Gregório Francisco, destacava-se seu sobrinho, o jovem Tomás Pompeu de Sousa Brasil que chegara a Sobral a 23 de fevereiro de 1834, com 16 anos de idade, tendo estudado durante mais de dois anos com seu tio professor” (ARAÚJO: 2005, p.137). E conclui Sadoc: “Tomás Pompeu viajou depois para Olinda onde se fez sacerdote e advogado. Retornando ao Ceará, militou na política tornando-se, nacionalmente, famooso no tempo em que exercia mandato no Senado do Impérito. Senado Pompeu, quando estudava em Sobral, a 20 de julho de 1836, solicitou da Câmara atestado de pobreza e de boa conduta, no que foi atendido. Seu tio, o admirável professor Gregório Francisco, a quem Sobral muito deve, faleceu a 13 de abril de 1868 e foi sepultado na Matriz sobralense deixando viúva sua mulher Antônia Gregorina que, por sua vez, expirou a 12 de janeiro de 1887, com 92 anos de idade”. (ARAÚJO: 2005, p.137-138, grifos nossos)
Ainda em 1835, matriculou-se o Senador Pompeu no Seminário Diocesano. Em 1836, foi aprovada para Academia Jurídica, em Olinda, Pernambuco.Em 1837, em duas épocas, foi aprovado em Filosofia, Aritmética, Álegebra, Geometria, Francês, inglês. Em 1838, aprovado em em Gografia, História, Retórica e História Sagrada.Em 1839, era submetido, no Seminário Diocesano, a ato de Teologia Dogmática. Em 1840, o futuro sacerdote foi provido, em 21 de novembro, na Cadeira de Teologia do Seminário.Em 1840, o seminarista Pompeu de Sousa Brasil recebia as ordens de diácono, sendo aprovado em exame Sinodal pelo bispo de Olinda, Dom João da Purificação Marques Perdigão, ordenando-se Sacerdote no dia de setembro de 1841, aos 23 anos, no Palácio da Solidade(Sede do Bispado.Em 2 de março de 1843, portanto, aos 25 anos, recebeu o grau de bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
O padre Tomás Pompeu de Sousa Brasil é o personagem Padre Brasil, do romance Dona Guidinha do Poço, de Manoel de Oliveira Paiva. Há uma passagem no romance em que faz referência ao senador: Quim, o Major Joaquim Damião, ao ler um bilhete, assinado por um “amigo da paz” (na verdade, era Guida), resolveu ir para Capital: “ Aí chegando, porém, em vez de consultar ao facultativo, foi pedir garantias para a sua vida ao Chefe da Polícia, e aconselhar-se com o Padre Brasil a respeito do desquite” (PAIVA: 1999, p.162)
[vii]
Leitor de Camões, em seu livro Compêndio de Geografia, adotado no País, traz como epígrafe: “Eu desta glória só fico contente/Que a minha terra amei e a minha gente”. Os versos, na íntegra, são assim: “Aos bons ingenhos. A vós só canto, espritos bem nascidos,/A vós, e às Musas ofereço a lira,/Ao Amor meus ais, e meus gemidos,/Compostos do seu fogo, e da sua ira,/Em vossos pleitos são, limpos ouvidos,/Caiam meus versos, quais me Febo inspira./Eu desta glória só fico contente,/Que a minha terra amei, e a minha gente”.
O Senador Pompeu tinha especial predileção pelo estudo da Geografia e escreveu um livro “ensaio Estístisco da Província do Ceará” (em 1859). Escreveu muitos trabalhos e livros, dos quais, citaria alguns: “Princípios Elementares de Geografia” (para uso do Liceu do Ceará, em 1850); “Compêndio de Geografia (1856); “Memória estatística da Província do Ceará, em dois volumes (1859) e “Compêndio de Geografia Geral e Especial do Brasil”, a maioria, oficialmente, adotada no Colégio Pedro II, nos Liceus e Seminários do Brasil.
Pioneirismo cultural de Pompeu
Instituiu, em 1845, aos 27 anos, o ensino secundário no Ceará, com a fundação do velho Liceu do Ceará, atendendo convite do presidente do Ceará, coronel Inácio Correia de Vasconcelos. Segundo Tomás Pompeu, o filho-biógrafo, “as cerimônias do magistério tinham para o seu espírito mais atrativos do que as cerimônias eclesiásticas” (MACEDO: 1980, P.54). O Liceu instituiu um ensino centralizado e de qualidade, permitindo ao seu responsável o controle da formação dos provincianos. Comentando sobre o valor do Liceu no século XIX, para o Ceará, o cônego Sadoc Araújo diz: “ Criado pela Lei 304, de 15 de julho de 1844, o Liceu do Ceará veio trazer novos rumos ao ensino de toda a Província, tornand0-se modelo para as demais escolas cearenses” (ARAÚJO: 2005, p.146). E acrescenta: “ O artigo 8º da Lei 501, de 14 de dezembro de 1849, detertiminava que não mais poderia ser criada qualquer escola na Província sem prévia licença do Presidente, ouvido o Diretor do Liceu. Este dispositivo se por um lado restringir a iniciativa particular, por outro lado, concorria para o aprimoramento do ensino, já que as permissões só eram das a professores devidamente examinados e aprovados nas matérias que pretendiam lecionar” (Ibidem).
Em 1845, foi inspetor-geral da Instrução, fazendo longa excursão pelo interior, visitando as escolas primárias, disseminadas nas diversas localidades da Província.
Há mais de 160 anos, Tomás Pompeu defendia a reforma da escolar popular, isto é, do sistema escolar dominante: criticava a escola de instrução, transmitindo apenas noções imperfeitas de cálculo, leitura e escrita, como ocorria (e ocorre) com as escolas primárias daquele tempo, longe, como diz Nertam Macedo (p.63), “ do ideal da verdadeira escola popular”. A grade curricular estabelecida, oficialmente, em 1844, definia as seguintes disciplinas: Filosofia Racional e Moral; Retórica e Poética; Aritmética; Álgebra; Geometria; Trigonometria; Geografia e História; Latim; Francês e Inglês. Apesar da quebra de uma formação exclusivamente literária da aulas clássicas de Latim, quando tomou o encargo de diretor de Instrução Pública, achou tal configuração curricular demasiadamente abstrata para nossa realidade e dizia, em relatório enviado ao Presidente da Província: “Cada povo deve aprender principalmente aquilo de que mais precisa para aumentar os cômodos da vida”
[viii]. (GIRÃO: 1977, p.12). Na proposição curricular de Pompeu, a nova configuração curricular era mais ou menos esta: Curso Religioso “ Católico”; Artes Liberais (Desenho e Música); Ciências Naturais: Física; Mecânica; Botânica, Agricultura; Geometria e Agrimensura. Na proposta de Pompeu, quebrava-se a formação exclusivamente voltada para as belas letras.
Com a ascensão dos conservadores à estrutura de poder, Pompeu foi exonerado da direção do Liceu, porque era do partido liberal. Com a subida dos liberais, voltou à direção do Liceu, e apresentou um relatório ao presidente da Província, no qual insiste em suas idéias reformistas
As idéias de Pompeu divulgadas há 160 anos, tem agora plena e oportuna atualidade: dizia ela, não há mais lugar para a escola tradicionalista, de métodos puramente memoralistas, e sim, de uma escola que eduque para o trabalho e para a vida
A escola ideal para Tomás Pompeu deveria, além de instruir, preparar o educando para as “aptidões para o exercício de uma profissão útil no meio em que vivia” (MACEDO: 1980, p.63)
Defendia a preparação profissional do mestre, o qual, a par de novos conhecimentos, deveria promover uma “escola de trabalho, de atividades pré-vocacionais, que transformasse o educando num homem do futuro – adestrado para viver e vencer no meio”.
Foi nomeado e diretor e lente da cadeira de Geografia e História no Liceu do Ceará, com que o distinguiu o governo da Província.
Aperfeiçoou-se nesse período em que foi diretor do Liceu do Ceará e inspetor de instrução aos estudos da língua portuguesa e das línguas estrangeiras (Francês, Inglês) e clássica (Latim).
Habituado à leitura diária de Horácio, Virgílio, Tácito, Lucrécio, Juvenal, Ovídio, Camões, Milton, Bussuet, Lamartine, Vieira e outros clássicos
Leitor familiar de Cícero, Demóstenes, Fenelon e Vergniaud, mestres da eloqüência e dos modelos portentosos da dicção oratória.
Gostava da leitura silenciosa e devotado à paz do seu gabinete de trabalho.
Era um apaixonado pelos problemas da educação na sua Província.
Pioneirismo político de Pompeu
· Em 1845, foi eleito primeiro suplente de deputado geral, tendo tomado assento na Câmara Temporária, com o falecimento do deputado nato padre Costa Barros.
· No dia 9 de janeiro de 1864, aos 46 anos, foi nomeado por Pedro II senador imperial através de Carta Imperial
· Era Pompeu um admirador do sábio Agassiz
· Fundou em 16 de outubro de 1846, com o apoio do seu amigo sobralense Francisco de Paulo Pessoa, o jornal “ O Cearense”, órgão do Partido liberal. Do sobralense, o Senador Pompeu recebeu 100 contos de réis para comprar as máquinas necessárias à instalação e impressão do jornal
[ix].
· Foi amigo íntimo de Francisco Otaviano de Almeida Rosa, senador, jornalista, poeta e dos mais destacados chefes do Partido Liberal na Monarquia.
· Em 1877, quando o Ceará sofreu na carne com a grande seca, contando com retardo e limitações de auxílios e recursos para os flagelados, patrocinados pelo Partido Conservador, presidido pelo Barão de Cotegipe, Pompeu revoltou-se, escrevendo, em O Cearense, “libertem-se de um jugo ditatorial que nos mata...esqueçam-se do centro...proclamen s sua liberdade e autonomia”
· Era o Senador Pompeu legítimo político de José Martiniano de Alencar e do coronel Pessoa Anta, irmão do primeiro senador Paulo Pessoa. Segundo o jornalista Lustosa da Costa, o senador Paula Pessoa foi um dos responsáveis pela eleição de Pompeu à Câmara Alta do Império: “ Com ele – senador Pessoal -, a zona norte passa a exportar senador. Em 1846, ajuda a eleger Thomaz Pompeu, seu primo, nascido em Santa Quitéria, freguesia de Sobral, cuja carreira política financia” (COSTA: 2004, P.89)
[x].
· O senador Nogueira Acioly era seu genro.
· O Senador Tomás Pompeu de Sousa Brasil, que sofria de miopia, morreu no dia de 2 setembro de 1877, aos 59 anos, em Fortaleza, vítima de ataque cardíaco.
[i] MACEDO, Nertan. O Clã de Santa Quitéria: memória histórica sobre vaqueiros políticos e eruditos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Renes, 1980. Autógrafo: “ Meu caro Vicente de Paula: É tudo quanto posso lhe mandar, atendendo sua cartinha. Espero que Você não desfaleça nos seus propósitos de se tornar um escritor. Mesmo neste País que pouca importância dá às coisas do espírito. Vá em frente e boa sorte! O abraço do Nertan Macedo. Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1982”.
[ii] FROTA, Dom José Tupinambá da. História de Sobral. 3ª ed. Fortaleza: IOCE, 1995. Dom José faz referência, em seu monumental livro, ao Senador Padre Thomaz Pompeu descrito como “chefe do partido liberal do Ceará, cujo prestígio se irradiava por todo o Império e que, como Alencar recusara pasta de ministro, disse: “ A revolução do Equador, nas províncias do norte, em 1824, foi o resultado da dissolução da Constituinte; foi um protesto que os Carvalhos, de Pernambuco, os Alencares, do Ceará, e outros homens de influência levantaram contra aquele acto. As idéias republicanas desapareceram em 1831 com a “Abdicação” e em 1834 com o “Acto Adicional” (Sessão de 21 de fev. de 183” (p.331). Faz ainda referência a Thomas Pompeu sobre período de seca de 1790 a 1794,estudo levado a efeito pelo senador.(p.423).
[iii] Vale ressaltar que, em Pernambuco, no século XIX, a palavra patriota denotava defensor da revolução pernambucana de 1817 e ou da de 1824.
[iv] ARAÚJO, Maria do Carmo R. A participação do Ceará na Confederação do Equador. In SOUZA, Simone de (org.). História do Ceará. Fortaleza: UFC/FDR/Stylus, 1989. P.139-148.
[v] ARAÚJO, Padre Francisco Sadoc de Araújo. Origem da cultura sobralense. Sobral: UVA, 2005.
[vi] Segundo informações de Sadoc, a mãe do professor Gregório, a Sra. Isabel Pinto de Mesquita, era filha do sargento-mor João Pinto de Mesquita e de Teresa de Oliveira, e, também, sobrinha do capitão Antônio Rodrigues Magalhães, proprietário da Fazenda Caiçara, berço de Sobral (@005, p.134). O título sargento-mor, na história militar, refere-se, na hierarquia do Exército do Brasil colonial e imperial, praça graduado entre tenente-coronel e capitão.
[vii] PAIVA, Oliveira. Dona Guidinha do poço: notas introdutórias e questionário de Sânzio de Azevedo. Fortaleza: ABC, 1999.
[viii] Citado por Raimundo Girão. O senador Pompeu: 1877-1977. Fortaleza: Secretaria de Cultura, Desporto e Promoção Social, 1977.
[ix] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004. O jornalista diz nesses termos: “ Sabia onde investir seu dinheiro. Para manutenção do jornal de seu partido Cearense, entregou ao senador Tomaz Pompeu de Souza Brasil, sogro do comendador Nogueira Accioly, cen contos de réis, cuja renda reverteria em favor daquele órgão de Imprensa.” (p.87)
[x] COSTA, Lustosa da. Clero, nobreza e povo de Sobral. 2ª ed. Rio Janeiro: São Paulo: Fortaleza: ABC, 2004.