A mesa dos trabalhos da sessão de posse esteve composta dos seguintes membros: Dr. João Édison de Andrade – Presidente; Professor Evaristo Linhares Lima – Ex-presidente e decano da Asel; Dr. José Luis Lira – representando o Magº Reitor da UVA, Dr. Antonio Colaço Martins; Profº José Ferreira Portella Netto, representando a vice-reitora da UVA, Drª Palmira Soares e a Srª Zilmar Viana Coelho, viúva do acadêmico José Ribamar Coelho.
Em sua fala inicial, o presidente cumprimentou os presentes à sessão, após o que, designou dois acadêmicos para, em cortejo, adentrarem os três neófitos ao recinto de posse. Ato continuo, o presidente passou a palavra ao acadêmico, professor, escritor e poeta Dimas Carvalho Muniz, a quem confiou o discurso de boas vindas aos novos acadêmicos.
Dimas Carvalho fez erudita preleção com incursões no mundo da literatura, desde os primórdios dos estudos do saber, até as pesquisas literárias mais atuais, terminando sua fala com bela saudação a seus novos pares, desincumbindo-se, assim, brilhantemente, da missão que lhe fora confiada.
Seguiu-se o ritual de posse. Cada acadêmico recebeu aos ombros a murça (indumentária acadêmica de cor vermelha) e ao peito o medalhão (símbolo da confraria).
E assim, tomou posse e assento na cadeira de Nº 3, que tem como patrono o médico cearense Dr. Eduardo da Rocha Salgado (in memoriam), membro da Academia Cearense de Letras, e que teve como último ocupante o saudoso acadêmico José Ribamar Coelho, o neo-acadêmico, professor Manoel Valdeci de Vasconcelos. A cadeira de Nº 21 patronada pelo memorável Professor Vicente Ferreira Arruda, e que teve como último ocupante o também saudoso Professor João Alves Teixeira, foi ocupada pela acadêmica Rebeca Sales Viana . Enquanto que a cadeira de nº 26, que tem como patrono o renomado Thomaz Pompeu de Souza Brasil, e que teve como última ocupante a inesquecível Professora Maria Leila Cabral de Araújo Coelho, foi preenchida pelo novo acadêmico Vicente de Paula da Silva Martins.
Perfis:Manoel Valdeci de Vasconcelos, foi eleito para a ASEL em 05 de junho de 2008 com 26 votos dos trinta votantes. Natural de Morrinhos-CE, então distrito de Santana do Acaraú. Veio estudar em Sobral nos anos 1950, onde fez estudos secundários. Concluiu o curso técnico de contabilidade na Escola Técnica de Comércio Dom José. Ingressou em seguida na primeira turma do curso de Letras da Faculdade de Filosofia Dom José, precursora da UVA, onde se formou. É especialista em Língua Portuguesa. Foi chefe da Previdência Social em Sobral durante 20 anos. Foi por três vezes presidente do Rotary Clube de Sobral. É, atualmente, acadêmico do Curso de Direito da UVA, secretário dos seus conselhos superiores e Chefe de Gabinete Adjunto do Reitor, Prof. Antonio Colaço Martins.
Rebeca Sales Viana, natural de Fortaleza-CE graduada em Odontologia pela UFC, especialista em Saúde Coletiva e Mestre em Gestão Pública. Docente concursada da Universidade Estadual Vale do Acaraú, desde 1994. Professora nos Curso de Enfermagem de Educação Física. É, atualmente, Pró-Reitora Adjunta da Pró-reitoria de Cultura da UVA. Foi eleita para a ASEL em 5 de junho de 2008, com 13 votos.
Vicente de Paula da Silva Martins, natural de Iguatu-CE. Graduado e pós-graduado em Letras pela UECE e Mestre em educação pela UFC com dedicação aos estudos e pesquisas em Lingüística, Metalingüística, (Dislexia, Disgrafia e Disortografia – legislação educacional). Mestre em Educação pela UFC. Docente da UVA no curso de Letras desde 1994. É professor dos cursos de Letras da UVA, em Sobral. Foi eleito pela ASEL em 19 de agosto de 2008. (Hercos).
Imortalidade literária
A palavra imortal, de acordo com o lexicógrafo Aurélio Buarque de Holanda quer dizer “que não morre; eterno, imorredoiro, imorredouro”. Ao ser humano tal hipótese é impossível, mas, às suas facetas, não. Pode um homem morrer e as ações por ele empreendidas permanecerem.
Por isso nos dizem imortais os que pertencemos a uma Academia de Letras. Nós todos morreremos um dia, mas, o que produzimos em termos literários permanecerá ou, pelo menos, nosso nome, pois, todas as vezes que houver sucessão nas cadeiras que ocupamos, seremos lembrados.
Já se afirmou que a vida acadêmico-literária se resume a dois grandes discursos: o de saudação ou recepção, na posse, e o de saudade, quando ocorre a verdadeira imortalidade, ou, como dizia Gerardo Campos, tem-se a segunda edição da vida, com a morte. Embora o imortal Guimarães Rosa dissesse que “As pessoas não morrem, ficam encantadas”.
A Academia Sobralense de Estudos e Letras que, desde sua fundação, congrega em sua lista de patronos e imortais nomes dos mais respeitados que se destacaram na sociedade e na cultura sobralense, cearense, brasileira e até mundialmente, recebeu com festa novos membros efetivos, novos imortais. São três cidadãos comprometidos com a cultura, com a história deste solo de Domingos Olímpio.
Manoel Valdeci de Vasconcelos, respeitado professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), secretário dos Conselhos Superiores da UVA e exímio professor de português, cultor de nossa Língua Mater. Creio eu que, há muito, ele deveria compor o Sodalício desta terra, onde aportou vindo de Santana do Acaraú e compôs a primeira turma de formandos em letras da Faculdade de Filosofia Dom José.
Rebeca de Sales Viana, professora e Pró-Reitora Adjunta da Cultura da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), também, poetisa.Vicente Martins, professor do Curso de Letras da Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA) e articulista de respeito, a quem testemunhei elogio do maior escritor do século XX no Brasil, Rachel de Queiroz, quando aqui esteve.
Interessante foi observar a maturidade e espontaneidade de Valdeci Vasconcelos, em seu tão belo discurso; a poesia de Rebeca Viana, falando serenamente; e, por fim, a experiência de um menino que se iniciou na literatura com um poema composto com palavras das quais não sabia o significado e, com o passar do tempo, além de poeta, como demonstrou ser, ensina e faz literatura, Vicente Martins.
Cada neo imortal, de um modo bem particular, deixou seu recado, transmitiu sua alegria por sua inscrição na História da Literatura de Sobral e o desejo de com ela contribuir, através da Academia Sobralense de Estudos e Letras.
Poder-se-ia perguntar: o que fizeram para galgar a imortalidade acadêmica? A resposta seria simples: não obstante as inúmeras atividades que os três empreenderam, conservaram amor e respeito à cultura e por tais ações mereceram a imortalidade literária sobralense.Vida longa aos novos imortais!